Estudo indica ruptura de placa tectônica sob Oceano Índico

Placa tectônica onde ocorreu terremoto de Sumatra, em abril, estaria em processo de quebra em duas partes.

Jonathan Amos, BBC

27 Setembro 2012 | 17h33

Uma série de fortes terremotos em abril na região costeira de Sumatra, no Oceano Índico, seria um indício da futura quebra em dois da placa tectônica Indo-Australiana, de acordo com um estudo publicado na revista científica Nature desta semana.

Pesquisadores afirmam que a análise dos tremores, cujo mais forte teve magnitude de 8,7 pontos, indica que a placa que hoje é uma só deve se romper, criando um novo bloco.

A mudança deve levar milhões de anos para acontecer, no entanto.

"Este é um processo que provavelmente começou há 10 milhões de anos, então você pode imaginar quanto tempo ainda vai ser necessário para chegarmos a ter uma fronteira clássica", afirmou Matthias Delescluse, da Escola Normal Superior, de Paris.

Delescluse é autor de um dos três estudos que tratam dos terremotos de abril na última edição da Nature.

A ilha de Sumatra, no oeste do arquipélago indonésio, se encontra em cima do ponto de encontro entre as placas tectônicas Indo-Australiana e a de Sonda.

Estas enormes porções da crosta rígida exterior da Terra se deslocam uma contra a outra a uma velocidade de cerca de 5 cm a 10 cm por ano.

A placa Indo-Australiana, mais alongada, abrange a maior parte do fundo do Oceano Índico, e afunda para baixo da de Sonda, que sustenta a ilha de Sumatra.

O atrito na fronteira, travando e destravando, além da súbita liberação de energia acumulada, são a causa de grande parte dos terremotos violentos, como o de magnitude 9,1, que provocou o catastrófico tsunami de 26 de dezembro de 2004.

Escala poderosa

Mas os tremores de 11 de abril de 2012, embora tenham sido tão poderosos quanto o de 2004, não tiveram o mesmo impacto nem geraram um tsunami.

A explicação para isso está na natureza do acidente geológico, na forma como bloco rochoso se movimenta horizontalmente de cada lado da quebra, em vez de um movimento vertical, que leva à geração de tsunamis.

Os sismos de abril também estavam mais a oeste, diretamente sobre a placa Indo-Australiana, em uma área de deformação em grande escala e diversas falhas.

Delescluse disse ser evidente que o movimento registrado nas fronteiras da placa esteja forçando a parte central dela.

"A Austrália já se movimenta em relação à Índia, e a Índia já se movimenta em relação à Austrália", disse à BBC o pesquisador francês.

"Ambas estão separadas por uma série de falhas. Se você olhar a Terra hoje, entre as placas tectônicas, verá apenas uma falha. Ou seja, o processo que identificamos começa com várias falhas e termina com apenas uma."

Para os pesquisadores a questão é descobrir quanto tempo é necessário para que uma dessas falhas fique tão frágil a ponto de concentrar toda a deformação da placa nela, tornando as outras inativas.

Tremores secundários

Em outro estudo da Nature, Thorne Lay e equipe, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, detalham as relações entre essas falhas e como elas se romperam no último dia 11 de abril.

A análise sísmica dos cientistas indica que pelo menos quatro falhas tiveram participação no evento de magnitude 8,7, que durou cerca de 160 segundos.

O evento foi considerado pelo grupo "provavelmente o maior já registrado" em apenas uma placa tectônica.

O terceiro estudo sobre o sismo publicado na revista científica descreve como o terremoto provocou outros tremores ao redor da Terra.

Esse efeito já era conhecido, mas o grupo liderado por Fred Pollitz, do US Geological Survey, ficou surpreso com a demora nestas consequências.

"Para a maioria dos terremotos, espera-se que a zona de tremor secundário não passe de mil km. Mas também sabemos que tremores principais muito grandes, como o evento do ano passado no Japão, de magnitude 9, podem provocar outros terremotos menores", afirmou Politz.

A diferença foi que o terremoto de abril deste ano acabou levando a outros tremores mais fortes e potencialmente mais perigosos, com intervalos de algumas horas ou até vários dias depois do tremor principal.

"Com efeito, isso estendeu a zona de tremores secundários ao mundo inteiro", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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