Estudo examina 300 bebês com microcefalia nascidos de 2012 a 2015

Pesquisa quer entender relação entre o aumento do número de casos de má-formação e infecções pelo vírus

Janaína Araújo, Especial para O Estado

25 Fevereiro 2016 | 22h13

JOÃO PESSOA -  Estudo com 300 pacientes com microcefalia na Paraíba registrados na rede pública de saúde, entre 2012 e 2015, pretende investigar o desenvolvimento clínico dessas crianças. “É importante sabermos qual o impacto nesta população e nos preparamos com atendimentos, terapias e outras formas de reabilitação”, disse a médica Sandra Mattos, coordenadora da Rede de Cardiologia Pediátrica da Paraíba. 

Em paralelo, em parceria com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o estudo deve investigar se houve processos virais ou infecções congênitas durante a gravidez. O resultado será divulgado em março.

As etapas dos estudo foram apresentadas, no final da tarde desta quinta-feira, 25, durante teleconferência com pesquisadores do Brasil e de outros países, como Austrália e Estados Unidos. Secretários de saúde de Pernambuco, Rio Grande do Norte e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, estavam presentes na apresentação.

Segundo a médica Sandra Mattos, as crianças que apresentaram "cabeças pequenas" estão sendo chamadas e avaliadas uma por uma. Dados sociais, econômicos e o local de origem da mãe também estão sendo coletados. A identificação do perímetro cefálico de mais de 16 mil nascidos vivos foi feito a partir de um banco de dados de 100 mil bebês com cardiopatia congênita registrados desde 2011, numa primeira etapa do estudo coordenado pela médica. O chamado das crianças está envolvendo 12 cidades polos do Estado e a parceria com o CDC.

“A pesquisa quer saber se existe uma relação do aumento dos casos de microcefalia aguda com o vírus da zika ou infecções congênitas”, disse o pesquisador e médico, Cláudio Régis. No último relatório do Ministério da Saúde, foram registrados 56 casos de microcefalia. Outros 287 casos foram descartados e 423 seguem em investigação, somando 766 notificações desde o ano passado. 

Em todo o Brasil já são 5.280 casos, sendo 508 confirmados e 837 descartados. O Estado da Paraíba  segue em quarto lugar no ranking dos casos confirmados, ficando atrás apenas de Pernambuco (182), Bahia (107) e Rio Grande do Norte (70).

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.