Estudo recomenda ampliar testes de Aids nos EUA

Ampliar a realização de testes para o diagnóstico da Aids - de modo a que toda a população dos EUA seja examinada ao menos uma vez na vida, e as pessoas sob maior risco façam exame todo ano - evitaria mais de 80 mil contaminações pelo vírus HIV nos próximos 20 anos, disseram pesquisadores na segunda-feira.

MAGGIE FOX, REUTERS

20 Dezembro 2010 | 21h39

E, se o tratamento para as pessoas contaminadas for integrado a esse problema, ele evitaria outras 212 mil novas contaminações, pois as pessoas contaminadas podem adotar precauções para não transmitir o vírus, segundo o estudo das Universidades Yale e Stanford.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA recomenda que os exames sejam universalizados, mas há pouca ou nenhuma verba para isso.

O CDC estima que 600 mil norte-americanos já morreram de Aids, que 1,1 milhão estejam contaminados, e que 21 por cento deles não saibam disso, porque nunca fizeram exames. Mais de 56 mil norte-americanos são contaminados a cada ano pelo HIV.

"Nosso modelo projeta que aproximadamente 1,23 milhão de novas infecções pelo HIV irão ocorrer nos próximos 20 anos, com 74 por cento ocorrendo entre pessoas de alto risco", escreveu a equipe chefiada por Elisa Long, de Yale, nesse estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine.

Pessoas consideradas de alto risco incluem homens homo e bissexuais, negros e usuários de drogas injetáveis.

"A avaliação única de pessoas de baixo risco, combinada com a avaliação anual de pessoas de alto risco, evita 81.991 contaminações (6,7 por cento do total projetado)", acrescenta o estudo.

Se a isso se conjugar o tratamento de 75 por cento do total de contaminados, a redução seria de 212 mil novas contaminações, ou 17 por cento do total, disse a equipe de Long.

Tudo isso custaria 26,9 bilhões de dólares nos próximos 20 anos, ou cerca de 22 mil dólares por ano de vida com qualidade, uma medição consagrada, que reflete não só o quanto as pessoas vivem a mais, como também a sua qualidade de vida.

Tentar submeter toda a população norte-americana a exames anuais seria bem mais caro, segundo a equipe de Long - cerca de 750 mil dólares por ano salvo com qualidade de vida para os pacientes.

A estratégia, porém, não teria como ser ampliada até a erradicação do vírus nos EUA, pois "poderia prevenir 24 por cento das novas infecções, mas não preveniria mais do que 40 mil novas infecções por ano."

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