AP Photo/Fernando Llano
AP Photo/Fernando Llano

Estudo relaciona zika a problemas cardíacos

Cientistas analisaram casos de pacientes infectados pelo vírus na Venezuela e que não tinham histórico de problemas cardiovasculares

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

09 Março 2017 | 16h39

Novo estudo feito por cientistas americanos revela pela primeira vez que a infecção por zika pode causar problemas cardíacos. Os pesquisadores acompanharam nove pacientes com o vírus – e sem histórico de problemas no coração – atendidos em um hospital de Caracas, na Venezuela. Oito deles apresentaram perigosa arritmia e em seis foram registrados sintomas de insuficiência cardíaca.

O trabalho, liderado pela cardiologista Karina Gonzalez Carta, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, foi apresentado nesta quinta-feira, 9. “Nosso estudo fornece claras evidências de que há uma relação entre a infecção pelo vírus da zika e complicações cardiovasculares”, afirmou.

Os infectados devem ficar atentos a sintomas de doenças cardiovasculares. “A pessoa com sintomas de zika que também apresentar sintomas como fadiga, falta de fôlego e palpitações no coração deve ver um médico imediatamente”, disse.

Segundo Karina, a equipe não ficou surpresa com o resultado, já que outras doenças semelhantes – como dengue e chikungunya – também afetam o coração. Mas a cientista afirma que a severidade dos problemas cardíacos e a rápida progressão das arritmias entre os pacientes não eram esperadas.

O grupo acompanhou nove pacientes do Instituto de Medicina Tropical de Caracas, que haviam relatado sintomas de zika uma semana antes e que em seguida tiveram sintomas de problemas cardíacos.

Os sintomas incluíam, principalmente, palpitações, perda do fôlego e fadiga. Só um dos nove já havia apresentado problema cardiovascular no passado – uma alta pressão sanguínea já totalmente controlada.

Depois de preencher formulário registrando todos os sintomas, os nove pacientes foram submetidos a um eletrocardiograma. Oito deles apresentaram problemas na taxa – ou ritmo – de batimentos cardíacos.

Com o resultado, foi feita uma bateria completa de exames cardíacos nos pacientes, incluindo ecocardiogramas e monitoramento por ressonância magnética cardíaca. Eles então foram monitorados por seis meses, a partir de julho.

As arritmias detectadas em oito dos pacientes incluíam três casos de fibrilação atrial (caracterizada por batimentos rápidos e irregulares), dois casos de taquicardia atrial não sustentada (um tipo de arritmia benigna) e dois casos de arritmias ventriculares (que pode ser mortal). Foram registrados seis casos de insuficiência cardíaca.

Efeito disfarçado. Segundo Karina, os dados revelaram que os sintomas de problemas cardiovasculares apareceram, em média, dez dias após as primeiras queixas de sintomas de zika.

Segundo ela, é provável que muito mais casos de sequelas cardíacas ligadas ao vírus sejam diagnosticados no futuro.

“Precisamos agora de estudos maiores e sistemáticos para entender o verdadeiro risco de problemas cardíacos relacionados à zika – e descobrir o que leva alguns pacientes a serem mais suscetíveis”, explicou a cientista. 

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