EUA querem mudar o nome da gripe suína

Associação Brasileira dos Criadores de Suínos também questiona o nome da doença

AE-AP,

28 Abril 2009 | 19h47

Funcionários do governo norte-americano disseram nesta terça-feira, 28, que podem abandonar o termo "gripe suína" por temer que ele confunda as pessoas e faça com que acreditem que a doença pode ser adquirida pelo consumo de carne de porco, o que é incorreto.

 

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"Estamos discutindo: há uma forma melhor de descrever a doença que não leve as pessoas a tomarem atitudes incorretas?", perguntou o doutor Richard Besser, diretor interino do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, pela sigla em inglês). "Temos visto uma série de conceitos errados entre a população e isso não ajuda em nada".

 

Os cientistas do CDC descobriram que a gripe, de uma cepa nunca encontrada antes, é uma mistura dos vírus suíno, humano e aviário.

 

Funcionários do governo apressaram-se em informar as pessoas de que é impossível adquirir cepas de gripes que atingem os porcos alimentando-se de sua carne. Mas na semana passada, China, Rússia e Ucrânia interromperam suas importações de carne suína do México e de certos Estados norte-americanos.

 

As reclamações também vieram do exterior. Funcionários do governo israelense sugeriram, na segunda-feira, 27, renomear a doença de "gripe mexicana", dizendo que a referência a porcos é ofensiva à sensibilidade de judeus e muçulmanos ao animal.

 

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) enviou esta tarde um e-mail aos ministros da Saúde, José Ramos Temporão, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, registrando "profunda preocupação" da entidade com a qualidade das informações que têm sido transmitidas à sociedade brasileira sobre a influenza da América do Norte. De acordo com o documento, a doença foi equivocada e inapropriadamente "batizada pela imprensa" de "gripe suína".

 

Apesar de o maior número de infecções e de casos mais gravem até agora terem sido registrados no México, cientistas não têm provas de onde o vírus se originou.

 

Nomear uma gripe, de fato, é uma história complicada. A famosa pandemia de 1918 foi em princípio chamada de gripe espanhola, embora cientistas hoje em dia concordem que ela não começou na Espanha, mas pode ter tido sua origem nos Estados Unidos.

 

Como chamar a gripe suína agora? Besses, do CDC, disse que o governo ainda não decidiu sobre a mudança. Mas o Departamento de Segurança Interna sugeriu a rota científica. "Poderíamos nos referir aos casos de gripe como surto de gripe H1N1".

 

Mas a mudança será difícil e não apenas porque a "gripe suína" entrou para o dicionário público. Até mesmo o site oficial para conselhos de saúde nos Estados Unidos usa o termo (www.CDC.gov/swineflu).

 

Ainda assim, no Departamento de Agricultura, o secretário Tom Vilsack, quer a mudança, dizendo a indústria suína norte-americana é sólida e não há casos de porcos doentes nos Estados Unidos.

 

"Não temos indicação de que nenhum suíno nos Estados Unidos tenha sido infectado", disse Vilsack. "Estamos abertos para fazer negócios. Acreditamos que não há razão para interromper a produção de suínos e seus derivados dos Estados Unidos".

 

Para fornecedores de carne de porco e suinocultores que formam uma indústria de US$ 15 bilhões, o nome da gripe tem sido um desastre. Os preços de empresas processadoras de carne de porco já estão caindo na medida em que o mercado financeiro teme que as pessoas tenham dúvidas sobre a compra desse tipo de carne.

 

"Está acabando com nosso mercado", disse Francis Gilmore, de 72 anos, que administra uma fazenda com 600 porcos em Perry, perto de Des Moines, Iowa. Ele teme que pequenos negócios possam ser arruinados pela crise. "Eu não sei de onde eles tiraram o nome".

 

Brasil

 

Segundo a

ABCS, "As notas distribuídas pelo Ministério da Saúde, na sexta-feira, dia 24 de abril, e pelo Ministério da Agricultura, na segunda-feira, dia 27 de abril, informam corretamente à população que o consumo de carne suína não é objeto de qualquer tipo de restrição", diz o e-mail, enviado também à imprensa. "Porém, esse positivo esforço de esclarecimento tem-se mostrado ainda incipiente diante do denso volume de informações negativas sobre o assunto."

 

Na avaliação da ABCS, a mídia ainda não refletiu com relevância o comunicado da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), que ontem condenou de forma veemente o uso da denominação "Gripe Suína". Ontem, a Agência Estado registrou o comunicado da OIE e também a insatisfação do Ministério da Agricultura com o uso da nomenclatura.

 

Segundo a OIE, como o vírus não foi isolado no animal, ainda, e como a contaminação tem ocorrido exclusivamente entre humanos, o correto seria obedecer a tradição de nominar eventos similares através da sua geografia de origem, como a Gripe Espanhola, no início do século passado, e a Gripe Asiática, em meados do mesmo século.

 

A nota da ABCS destaca ainda que, recentemente, com a chamada "gripe aviária", se aprendeu que o mercado interno pode sofrer, mesmo sem que aquela doença tenha chegado a ocorrer no Brasil.

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