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Exame de sangue detecta uma única célula cancerosa

AP

03 Janeiro 2011 | 13h 32

Teste pode capturar células dispersas no sangue, funcionando como uma 'biópsia líquida'

 

Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram um teste sanguíneo que pode identificar uma única célula cancerosa entre milhares de saudáveis e que, em breve, estará disponível nos consultórios médicos.

 

Os desenvolvedores do exame anunciam nesta segunda-feira, 3, uma parceria com a gigante da saúde Johnson & Johnson para levar a invenção ao mercado. Quatro grandes centros de tratamento do câncer já começam neste ano estudos usando o teste de forma experimental.

 

Células cancerosas dispersas no sangue significam que o tumor se espalhou ou poderá se espalhar para outras partes do corpo, acreditam muitos médicos. O teste pode capturar essas células com potencial para se transformar em muitos tipos de câncer, especialmente de mama, próstata, cólon e pulmão.

 

Inicialmente, os médicos querem usar o exame para tentar prever quais tratamentos serão melhores para o tumor de cada paciente e descobrir mais rapidamente se eles estão funcionando.

 

"É como uma biópsia líquida" que evita a remoção dolorosa de tecido de amostra e pode ser uma maneira melhor de monitorar pacientes do que as tomografias periódicas, disse o Dr. Daniel Haber, chefe do Hospital Massachusetts General e um dos inventores do exame.

 

Ao fim, o teste pode oferecer uma maneira de detectar o câncer além das mamografias, colonoscopias e outros métodos pouco ideais utilizados hoje em dia.

 

"Há muito potencial aqui e é por isso que há muita animação", disse Dr. Mark Kris, chefe de tratamento do câncer de pulmão no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova York.

 

Muitas pessoas têm seus diagnósticos feitos através de biópsias por agulha. Esses exames muitas vezes não oferecem uma amostra grande o suficiente para determinar quais genes controlam o crescimento do tumor. Ou a amostra pode não estar mais disponível quando o paciente vai consulta um novo especialista.

 

Médicos normalmente prescrevem um medicamento ou terapia de radiação e então fazem uma tomografia dois meses depois para verificar se o tumor reagiu ao tratamento. Alguns pacientes vivem tempo suficiente para testar apenas um ou dois tratamentos, então um teste que possa avaliar o sucesso dos medicamentos mais cedo, avaliando as células cancerosas presentes no sangue, pode dar mais opções para os pacientes.

 

"Se você pudesse descobrir mais rapidamente 'esse medicamento está funcionando, continue com ele' ou 'esse medicamento não está funcionando, tente outra coisa', isso poderia mudar muita coisa", disse Haber.

 

Atualmente, o único teste no mercado que encontra células cancerosas no sangue é o CellSearch, fabricado pela Veridex, unidade da J&J, mas ele apenas fornece uma contagem das células. Ele não captura células inteiras que os médicos podem analisar para avaliar tratamentos.

 

O teste usa um microchip que lembra uma lâmina de laboratório coberta por 78.000 minúsculos cilindros, como cerdas de uma escova de dente. Os cilindros são cobertos de anticorpos que se ligam às células cancerosas. Quando o sangue passa pelo chip, as células batem nos cilindros como bolas em uma máquina de pinball. As células de câncer ficam presas e manchas fazem-nas brilhar para que os pesquisadores possam contar quantas ficaram e, em seguida, capturá-las para estudo.

 

O exame é capaz de identificar uma célula cancerosa entre um bilhão ou mais de células saudáveis, disse Mehmet Toner, da Universidade de Harvard, que ajudou a desenvolver o teste.