DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Excesso de procura volta a dificultar instalação de ‘tenda da dengue’ em SP

Capital tem 12 casos notificados por hora e pacientes que procuram serviço de emergência reclamam de demora no atendimento

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 03h00

SÃO PAULO - As filas de pessoas à espera para serem atendidas continuam nas tendas da dengue, instaladas pela Prefeitura. E ao menos um equipamento, na zona sul, prometido para esta terça-feira, 14, ainda não havia entrado em funcionamento. Conforme dados mais recentes do Ministério da Saúde, a capital paulista registra 12 casos da doença por hora - foram 24.885 até o dia 28.

Reclamações sobre o tempo de espera fizeram parte do primeiro dia de funcionamento do novo equipamento instalado na Freguesia do Ó, na zona norte da capital paulista. Por volta das 15 horas, o estudante Felipe Oliveira, de 21 anos, cansou de esperar pelo resultado do exame de sangue para verificar a quantidade de plaquetas, avaliação que ajuda no processo de confirmação da dengue, e foi para casa.

Na inauguração da primeira tenda, na Brasilândia, no dia 6, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os resultados sairiam em cinco minutos. “Estou aqui desde as 8 horas e demorei quatro horas para ser atendido. Vou voltar amanhã (quarta-feira, 15) para pegar o exame, preciso almoçar”, disse Oliveira.

Com o avanço no número de casos e a perspectiva de que o surto terá seu auge nas próximas seis semanas, a Prefeitura intensificou o uso das tendas. Segundo a Secretaria da Saúde, o principal objetivo desses locais não é tratar a doença, mas investir na reidratação dos pacientes suspeitos - de forma a minimizar danos.

Nesta segunda-feira, 13, o prefeito Fernando Haddad (PT) informou que a Vigilância Sanitária seria colocada em alerta. A capital paulista é uma das cinco cidades com maior número de registros no País, considerando tanto números federais quanto estaduais. Apesar disso, o único bairro que já se encontra em epidemia é o Pari, na região central - com incidência de mais de 300 casos por 100 mil habitantes. As tendas devem ser instaladas nos locais mais críticos, sobretudo nas zonas sul e norte.

A secretaria chegou a anunciar que a tenda de Cidade Ademar, na zona sul, já estava em funcionamento, mas ainda passava por ajustes nesta terça-feira, 14. Por telefone, uma funcionária não quis passar informações sobre o atendimento no local.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a tenda já está realizando atendimentos, mas está “em fase de adaptação e alinhamento de fluxo” e estará em “plano funcionamento” a partir desta quarta.

Sobre a tenda da Freguesia do Ó, explicou que a alta procura aumentou o tempo de espera, mas que “todos os pacientes foram atendidos”. A pasta disse ainda que está monitorando as tendas para fazer ajustes para melhorar o serviço.

No País. O mais recente levantamento do Ministério da Saúde, divulgado nesta segunda, mostra que o Brasil registrou, até 28 de março, 460,5 mil casos de dengue (220 notificações por hora), mais da metade em São Paulo (257.809, ou 55%). O Estado ainda responde por três de cada quatro mortes ocorridas no País (99 de 132). 

A secretaria estadual afirma que trabalha com números menores. Seriam de 159.328 registros até 10 de abril. Os indicadores diferem dos divulgados pelo ministério pois levam em consideração os casos confirmados, e não as notificações.

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