Exportação de vacina H1N1 pode gerar disputa internacional

Os países onde as fábricas da vacina estão instaladas podem simplesmente declarar a exportação ilegal

16 Julho 2009 | 14h05

Uma crise internacional está sendo gestada em torno da vacina para a gripe suína. Quando ela estiver disponível, vários países poderão descobrir que os contratos que assinaram com a indústria farmacêutica podem ser facilmente quebrados.

 

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Especialistas advertem que durante uma epidemia global, que é a situação mundial agora, os governos poderão se ver sob uma enorme pressão para proteger seus próprios cidadãos primeiro, antes de permitir que as indústrias exportem a produção de vacina para outros países.

 

Essa perspectiva não é boa para muitas nações, incluindo os Estados Unidos, que fabrica apenas 20% de seu consumo de vacina para a gripe, ou para o reino Unido, que importa toda a vacina para gripe que usa.

 

Especialistas dizem que os políticos talvez não sejam capazes de suportar a pressão. "As consequências de mandar vacina para o exterior quando o seu próprio povo não tem seria devastadoras", acredita o executivo aposentado de indústria farmacêutica  David Fedson.

 

Cerca de 70% das vacinas para gripe do mundo são fabricadas na Europa, e poucos são os países autossuficientes.

 

"Vacina contra pandemia será um recurso escasso, como combustível ou comida durante uma crise", disse o professor de Direito da Universidade de Indiana, David Fidler, que já prestou consultoria para a Organização Mundial da Saúde (OMS). "Vimos como países se comportam nessas situações, e não é encorajador"

 

O Reino Unido alega que começará a vacinar pessoas em agosto, a Itália promete dar início à vacinação no fim do ano, e muitos outros países têm estratégias similares. Esses planos para vacinação em massa poderão ser inviabilizados por dificuldades na fabricação da vacina, ou pela recusa de outros países em fornecê-la.

 

Se o vírus continuar ameno, a questão poderá se tornar inconsequente. Especialistas estimam que a gripe suína tem um grau de periculosidade comparável ao da gripe comum, e que a vacina para a gripe normal nunca teve grande demanda, embora a doença mate meio milhão de pessoas a cada ano, no mundo inteiro.

 

Em pandemias passadas, vacinas nunca foram exportadas antes que o país produtor estivesse abastecido. Mas, diferentemente das pandemias de 1957 e 1968, muitos países hoje têm contratos com empresas prometendo acesso prioritário à vacina. Mas, numa emergência global, esses contratos podem perder o significado.

 

Os países onde as fábricas estão instaladas podem simplesmente declarar a exportação ilegal, forçando à quebra dos contratos.

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