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Familiares de grávidas acusam Santa Casa por morte de bebês

Chico Siqueira - Especial para o Estado

24 Junho 2014 | 20h 15

Eles afirmam que médicos não prestaram atendimento adequado. Hospital, de Ourinhos, nega e diz que bebês chegaram mortos

ARAÇATUBA - Familiares de três grávidas afirmam que elas perderam seus bebês em menos de 24 horas na Santa Casa de Ourinhos, no interior de São Paulo. Eles acusam o hospital de não prestar atendimento adequado, o que teria causado a morte dos fetos. A Santa Casa nega as acusações e afirma que os bebês chegaram mortos, vítimas de "aborto retido" e "óbito fetal".

"Quando perguntei qual era a causa da morte do meu futuro filho, o médico disse para eu procurar no Google", disse, revoltado, o auxiliar João Victor de Oliveira, de 20 anos. Sua mulher, Isabel Fernanda de Moraes, de 24 anos, que estava grávida de cinco meses, deu entrada no hospital neste domingo, 22, com dores nas costas, e seu estado piorou na madrugada de segunda-feira, 23. "De manhã, o médico chegou na porta do quarto, que tinha bastante gente, e, sem se importar, gritou que meu filho tinha morrido, virou as costas e saiu", contou. Oliveira foi atrás do médico e ouviu que deveria procurar no Google.

O auxiliar procurou a polícia, mas foi orientado a voltar quando estivesse com o prontuário do atendimento. Sua mulher continua internada, recebeu medicação para abortar e ele não sabe até agora porque o bebê, que estava vivo no domingo, morreu. Ele acredita que seu filho tenha morrido porque os médicos teriam dado medicação errada para sua mulher, que tem alergia a dipirona. "Isso pode ter causado a morte do bebê. Estou esperando terminar tudo isso aqui para procurar meus direitos." 

Jogo do Brasil. A balconista Marcia da Silva Cristina afirma que o médico demorou para atender sua irmã, Nadir Aparecida Batista, de 38 anos, que perdeu o bebê no sétimo mês de gestação, porque estava assistindo ao jogo do Brasil na Copa. "Ele só voltou depois que fui na sala onde ele estava e implorei para que ele desse medicamento para a minha irmã."

De acordo com a Santa Casa, o bebê de Nadir já estava morto quando ela chegou ao hospital.

Em nota, a Santa Casa afirmou que seguiu todos os protocolos médicos para as complicações de Nadir e de Isabel. Segundo a nota, a primeira estava com quadro de aborto retido e a segunda, com óbito fetal. Uma terceira paciente, chamada Priscila, segundo a nota, também estava com quadro de aborto retido. De acordo com o hospital, "são inverídicas as informações de ausência de atendimento médico".

Maternidade fechada. Em Penápolis (SP), a Santa Casa fechou no sábado, 21, sua maternidade por falta de médicos plantonistas. Segundo o diretor-técnico da maternidade, Luiz Washington Bozzo, a maternidade precisa de pelo menos seis ginecologistas e obstetras, mas só estava com três.

Segundo ele, o hospital optou por fechar as portas da maternidade ao enfrentar ações judiciais por conta de eventuais falhas no atendimento por falta de médicos. No entanto, Bozzo afirmou que a maternidade deveria ser reaberta na noite desta terça-feira, 24. "Conseguimos médicos plantonistas e vamos reabrir a maternidade." Mas ele não sabe até quando. "Isso não sei responder, mas espero que não precisemos fechá-la novamente", afirmou.

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