Farmanguinhos faz acordo para produzir antibiótico

Com pacto com farmacêutica multinacional GlaxoSmithKline (GSK), Amoxil passa a ser fabricado no Brasil; empresa não sabe informar se preço do medicamento vai cair

Fernanda Bassette, de O Estado de S. Paulo

23 Novembro 2012 | 07h33

SÃO PAULO - A farmacêutica multinacional GlaxoSmithKline (GSK) terceirizou a produção de um antibiótico para o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz, no Rio. A parceria, inédita nessa área, terá duração de ao menos cinco anos.

A farmacêutica também tem um outro acordo com a Fiocruz - no caso, com a unidade Biomanguinhos - desde 2010 para produção da vacina pneumocócica conjugada. A produção é feita para o Ministério da Saúde para que a vacina seja distribuída gratuitamente na rede.

 

Com o acordo firmado com Farmanguinhos, o antibiótico Amoxil - que é amplamente comercializado no País - passará a ser fabricado no Brasil. Antes, ele era produzido em uma unidade da GSK no México e importado para o País. A GSK não informou se o fato de a fabricação agora ser no Brasil refletirá na redução do preço da droga.

 

As primeiras unidades dos comprimidos de Amoxil (amoxilina, na versão de 875 mg) foram entregues à farmacêutica em junho deste ano. O segundo lote foi entregue no final de outubro. Até agora já foram liberadas 29.206 caixas do antibiótico - o que representa 453.970 comprimidos. O volume total a ser fabricado dependerá da demanda.

 

Cooperação. Segundo o diretor executivo de Farmanguinhos, Hayne Felipe da Silva, a parceria com a GSK é um acordo de cooperação em que os técnicos da Farmanguinhos estão simultaneamente aprendendo a tecnologia de produção de comprimidos revestidos e também prestando serviço para a GSK. "Ao mesmo tempo que aprendemos essa tecnologia, produzimos o medicamento para a GSK vender no mercado privado. É diferente do outro acordo, com Biomanguinhos, que prevê produção de vacina para o Ministério da Saúde distribuir na rede pública", explica Silva.

 

Segundo ele, essa parceria é importante porque demonstra que o instituto tem nível de excelência tecnológica e de qualidade comparado aos laboratórios farmacêuticos reconhecidamente de alto padrão. Além disso, ainda permitirá que Farmanguinhos produza outros medicamentos com esse tipo de revestimento, caso seja necessário. "Tem o lado econômico também. Além de aprendermos, nós recebemos pelo serviço prestado", diz Silva.

 

A unidade de Farmanguinhos tem capacidade para produzir até 900 mil comprimidos por mês para este medicamento. "Essa é uma demanda inicial e a parceria abre perspectivas para a cooperação técnico-científica para o desenvolvimento de outros produtos", afirmou.

 

Para que a iniciativa desse certo, houve transferência de tecnologia, colaboração científica e a capacitação profissional na produção de penicilina. "O objetivo é ampliarmos nossa capacidade produtiva no País, tendo como parceiro um laboratório de referência, com alto nível de expertise técnico e excelência operacional, como Farmanguinhos", afirmou Cesar Rengifo, presidente da GlaxoSmithKline no Brasil. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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