Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Ritmo de avanço da febre amarela deve diminuir, diz ministro

Ricardo Barros vai a Minas Gerais, Estado mais afetado pela doença, nesta sexta

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2017 | 22h50

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, não descartou o risco de que a febre amarela também continue a fazer vítimas, embora em um ritmo menor do que o identificado nesta primeira fase do ano. "A febre amarela está sendo um ingrediente novo. Daí nosso trabalho de ressarcimento para municípios mais atingidos", disse o ministro em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 2. 

Nesta quinta, a pasta anunciou a antecipação de recursos para ações de prevenção e vigilância, além de um bônus para que a vacinação contra a febre amarela seja reforçada. O País vive a pior epidemia da doença desde a década de 70. São 157 casos confirmados, com outros 876 ainda em investigação. Até agora, 57 mortes de febre amarela foram confirmadas.

O ministro disse esperar que o surto de febre amarela  comece a perder ritmo. A expectativa tem como ponto de partida o aumento da vacinação da população que vive em região considerada de risco. Até agora, foram aplicadas pouco mais de 1,2 milhão de doses em 185 municípios mais atingidos - o equivalente a 90% da cobertura vacinal. A imunidade contra o vírus é estabelecida em média 10 dias depois da aplicação da vacina. 

Embora o número de casos seja bastante significativo, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que os registros até agora são silvestres. A maior parte dos pacientes, disse, é formada por homens que trabalham na área rural. Ele não descartou, no entanto, o risco do aparecimento de casos urbanos. "Estamos fazendo um esforço máximo para conter a febre amarela para que isso não aconteça", disse.

Para tentar bloquear o avanço da doença, a pasta anunciou a liberação de recursos para municípios considerados prioritários. Serão repassados R$ 13,885 milhões para ações de reforço da vacinação realizadas a partir de janeiro para 256 municípios dos estados de Minas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. Será feito também um adiantamento de 40% nos recursos extras para ações de vigilância em saúde, no valor de R$ 26,3 milhões. Essa verba tradicionalmente é encaminhada para prefeituras a partir de abril. Além disso, a previsão é de ressarcir as despesas extras realizadas na região para tratamento de pacientes com a doença.  "Tudo o que for necessário para novos leitos, para contratação de  médicos será ressarcido. O pagamento será feito por meio um pagamento único", disse o secretário de Atenção à Saúde, Francisco Figueiredo.

Nesta sexta, o ministro deverá ir a Minas para anunciar o repasse de recursos. Esta semana, uma reunião também foi realizada com prefeitos das áreas atingidas. Barros vinha sendo criticado pelo fato de até agora, passadas três semanas de aumento de casos, não ter visitado a região atingida pela doença. Ele chegará em um momento em que a situação, na descrição dos prefeitos, está mais controlada. Boa parte da população foi imunizada, não há mais tantas filas nos postos e a movimentação nos hospitais também começa a se reduzir.

O principal foco da epidemia é Minas Gerais. O Espírito Santo, Estado que até o ano passado era considerado área livre de risco para febre amarela, apresenta um número também muito significativo de casos, quando comparado com a série histórica do País. São 13 confirmados e outros 52 ainda em investigação. Em entrevista concedida nesta quarta ao Estado, o diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, afirmou que a situação capixaba somente não é mais grave porque a vacinação de bloqueio foi feita de forma eficiente. Também foi feita uma vacinação preventiva na Bahia e no Rio. Até o momento, foram notificados casos suspeitos da doença em cinco Estados. 

Barros afirmou que novos pontos de mortes de macacos (um indicativo de circulação do vírus da febre amarela) foram registrados no sul de Minas. Não há, até o momento, no entanto, indicativo de que a vacina de reforço deverá ser realizada nos municípios em que casos foram identificados. Os rumores de mortes de macacos ocorreram nos municípios de Passos, Caldas, Toledo, Clavaral, São Roque de Minas e Campestre.

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