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Fechamento de instituto provoca superlotação de hospitais públicos em São José do Rio Preto

Chico Siqueira - Especial para o Estado

02 Julho 2014 | 17h 51

Santa Casa e Hospital de Base colocam macas nos corredores e na recepção para tentar atender à demanda que cresceu nesta semana

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O atendimento de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) está à beira do colapso em São José do Rio Preto (SP), município considerado referência nacional em atendimento de saúde. O alerta foi feito pelos dois únicos hospitais públicos - a Santa Casa e o Hospital de Base (HB) - que prestam esse tipo de atendimento no município. As unidades, que enfrentam superlotação e falta de leitos, tiveram um aumento de 40% na demanda de novos pacientes com o fechamento do hospital do Instituto Espírita Nosso Lar (Ielar), a sexta-feira, 27.

O Ielar prestava cerca de 10 mil atendimentos mensais em medicina primária e secundária e era responsável por cerca de 400 procedimentos diários em urgência e emergência, exames e cirurgias. Com seu fechamento, o atendimento de urgência e emergência teve de ser remanejado, sobrecarregando ainda mais o atendimento nos outros dois hospitais. 

Nesta segunda e terça-feira, 1 e 2, a Santa Casa e o Hospital de Base, que também atendem a população das cidades da região, transformaram seus corredores em verdadeiros quartos improvisados, com a colocação de dezenas de macas para atendimento aos novos doentes.

SERGIO ISSO/DIARIO DA REGIAO
Hospital de Base enfrenta superlotação

Recepção vira quarto. No HB, o corredor do andar térreo e a sala de recepção ao público - onde cadeiras servem agora de acomodação para acompanhantes dormirem - foram transformados em alas de emergência, ocupadas por 60 macas. Os atendimentos de enfermeiros e médicos são feitos no próprio corredor, ao lado de acompanhantes e outros profissionais que transitavam pelo local. Com a superlotação, doentes e acompanhantes dormem na sala de espera e no corredor e usam banheiros dos quartos ocupados por outros pacientes. 

Segundo a assessoria do HB, na manhã desta quarta-feira, 124 pacientes foram atendidos no setor de pronto-atendimento - geralmente o número varia de 70 a 90 -, houve aumento de 100% no número de pacientes que aguardam vagas na UTI e de 30% dos que esperam internação. De acordo com o hospital 33 pacientes ficaram em macas à espera de liberação de vagas em leitos.

A direção do HB fez um boletim de ocorrência na polícia para se preservar de possíveis omissões que podem ocorrer nos próximos dias, quando, afirma, o hospital poderá não ter mais condições de atender à demanda.

Segundo o diretor administrativo do hospital, Jorge Fares, a falta de leitos fez o HB colocar macas nos corredores, mas o problema agora é que não há mais onde colocar essas macas. Fares afirma que o hospital poderá bloquear a entrada de pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

"A direção entende que não podemos deixar que os pacientes morram dentro do hospital. Estamos à beira do colapso no atendimento, não temos mais onde colocar os doentes", afirmou. Segundo Fares, "o hospital recebe de 40% a 45% dos pacientes da cidade e o restante vem de 101 municípios. Chegamos no limite", afirmou.

Novos profissionais. Na Santa Casa de Rio Preto, a situação é semelhante. De acordo com o provedor, Nadim Cury, hospital dobrou os atendimentos no setor de obstetrícia e teve de contratar médicos, enfermeiros e técnicos para dar conta do atendimento. Nesta terça-feira, 2, o hospital teve aumento de 40% na demanda, atendendo 130 novos pacientes.

"Colocamos macas nos corredores, que até o final de semana deverão levadas a uma sala de observação para abrigar a nova demanda", afirmou Cury. De acordo com Cury, uma nova ala está em construção e ficará pronta no fim ano. "Se houver novo aumento de procura na urgência e emergência, não teremos mais condições de atender. Estamos no limite", afirmou.

Fechamento. O Ielar alegou não ter condições financeiras para manter o hospital em funcionamento. A prefeitura cobra do hospital uma suposta dívida de R$ 8,8 milhões de repasses do SUS, cujas contas não teriam sido prestadas. O hospital afirma que não deve à prefeitura e que os recursos foram repassados a fundo perdido como complementação dos serviços que ele prestava ao município. Uma nova reunião está marcada para o final da tarde desta quarta, quando representantes da prefeitura e do hospital tentarão um acordo.