Foco de febre amarela abrange 272 municípios gaúchos

Região da Serra, que deve receber muitos turistas nesse feriado, está no mesmo ecossistema em risco

Carlos Rollsing, de O Estado de S. Paulo,

09 Abril 2009 | 18h49

Saltou para 272 o número de municípios gaúchos abrangidos pela área de foco da febre amarela, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti. A marca foi atingida nesta quinta-feira, 9, após o anúncio do secretário Estadual da Saúde, Osmar Terra, que divulgou a inclusão de 71 cidades à lista de risco. As autoridades tomaram a atitude depois da descoberta de que bugios contaminados pelo vírus morreram em Guabiju, Muitos Capões e Rio Pardo.

 

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A populosa região da Serra, que deve receber muitos turistas no feriado de Páscoa, está no mesmo ecossistema onde os animais infectados foram encontrados. Até o momento, o Rio Grande do Sul contabiliza seis óbitos por febre amarela e outros dois por efeitos colaterais da vacina. Desde novembro do ano passado, período de incidência dos primeiros casos, cerca de 2,3 milhões de pessoas foram imunizadas.

 

A vacinação deve ser aplicada em todos os moradores das regiões de risco, priorizando as áreas rurais, onde se concentra o mosquito, e, posteriormente, as urbanas. Bebês acima de nove meses de idade já necessitam do antídoto, assim como jovens, adultos e idosos que não apresentem contraindicações médicas, como alergia, gestação ou diminuição da imunidade.

 

O tradicional deslocamento maciço de turistas para a Serra gaúcha no período de Páscoa preocupa. Como a região entrou na zona de risco, é indispensável que os viajantes adquiram a imunização com dez dias de antecedência. "Realmente, os viajantes deveriam ter vacinado dez dias antes dá ida à Serra. Mas, para aqueles que não se imunizarem com a antecedência ideal, o jeito é não se aproximar da mata", alertou Cláudio Franzen, presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers). Franzen demonstra apreensão com o avanço da febre amarela e sugere ações mais drásticas. "Estamos bastante preocupados, pois a epidemia parece sem controle. Entendemos que a população urbana e rural deve ser vacinada em massa".

 

A Região Metropolitana de Porto Alegre segue livre do vírus. Soldados do Exército receberam treinamentos para realizar a busca de bugios nas matas. Os animais, que também são contaminados pelo mosquito Aedes Aegypti, passam por exames e coleta de sangue. A constatação de presença do vírus confirma foco de febre amarela na localidade habitada pelo bicho. Osmar Terra disse que a vacinação geral não é ato imprescindível, destacando que o Estado adotou as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A diretriz é vacinar e bloquear as regiões de risco.

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