Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

França reconhece ligação entre próteses de silicone e câncer

Segundo autoridades sanitárias, não há razões para alarmismo, mas sim para monitoramento de casos no país

Andrei Netto , CORRESPONDENTE

18 Março 2015 | 14h46

Atualizada às 20h30
PARIS - As autoridades sanitárias da França informaram nesta quarta-feira, 18, que uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer francês estabeleceu “vínculos claros” entre implantes de próteses mamárias e 18 casos da câncer de seios. A conclusão fará o Ministério da Saúde do país monitorar pacientes e pode levar à proibição do uso de produtos de fabricantes envolvidos nos casos diagnosticados. 
Trata-se do relatório mais importante sobre o tema desde 2011, quando da eclosão do escândalo em torno das próteses da marca francesa Poly Implant Prothèse (PIP), produzidas com silicone industrial. Segundo a investigação dos especialistas do instituto, 400 mil casos de implantes foram apurados - 80% com definições estéticas -, e em apenas 18 foram identificados linfomas anasplásicos de grandes células. O problema: todos estavam associados ao uso de próteses de silicone. 
“Existe um vínculo claramente estabelecido entre a ocorrência da patologia e o porte de implantes mamários”, diz o relatório. Desses casos de exceção, 100% diz respeito a implantes “texturizados”, com superfície áspera, e 14 deles são relativos a pacientes que portam materiais de um fabricante americano, a marca Allergan.

Nem por isso, porém, o governo francês recomenda uma nova cirurgia de retirada ou substituição das próteses. “Nossa vigilância é de 100%. As mulheres não devem ceder à inquietude exagerada”, reiterou a ministra da Saúde, Marisol Touraine. 
A ministra ressaltou que, por ora, ainda não é possível concluir pelo banimento ou pela criminalização de nenhuma fabricante de próteses, ao contrário do que aconteceu em 2011. De acordo com François Hébert, diretor-geral da Agência Nacional de Medicamentos (ANSM), as pesquisas continuarão e, se ficar comprovada a associação entre casos de câncer e um tipo específico de prótese ou fabricante, o órgão recomendará a substituição. “Se tivermos de começar a bani-los, iremos fazê-lo.” 
Consultado pela agência France Presse (AFP), o fabricante americano envolvido, Allergan, informou estar colaborando com as autoridades durante as pesquisas e recomendou a todas as pacientes que portam próteses de silicone que realizem exames preventivos anuais a partir dos 25 anos de idade. 
Brasil. A França realiza um monitoramento especial de casos de câncer eventualmente associados às próteses de silicone desde o escândalo PIP, que envolveu a maior fabricante do País e uma das maiores do mundo - com presença forte no Brasil.
O vínculo entre a doença e os implantes foi estabelecido pela primeira vezes há cinco anos, em um caso justamente motivado pelo vazamento de silicone industrial - impróprio para o uso médico - no interior do organismo da paciente.
Com base nessa constatação, o instituto passou a realizar estudos de grandes proporções para tentar delimitar o problema. 

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