Tookapic/Pixabay
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Garotas sedentárias

Estudo apresentado pela Universidade de Bristol revela que já aos 9 anos duas em cada três meninas abandonam a atividade física diária

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2017 | 03h00

Por que as garotas adolescentes são mais sedentárias que os garotos? Quando essa diferença de comportamento começa a aparecer? Novo estudo revela que já aos 9 anos duas em cada três meninas abandonam a atividade física diária, enquanto entre os meninos um em cada três está inativo.

O trabalho da Universidade de Bristol, no Reino Unido, financiado pela Fundação Britânica do Coração, avaliou 1.300 crianças aos 6 e aos 9 anos. Nesse intervalo de tempo, as meninas aumentaram em 23% seu tempo de vida sedentária. Aos 9, o número de garotas que fazia uma hora de atividade física diária era a metade do número dos meninos.

Para os especialistas, à medida que as garotas crescem, elas passam a se sentir menos confortáveis com seu corpo e aparência e menos confiantes em praticar uma atividade física. Os esportes coletivos, por exemplo, se tornam mais populares entre os garotos, o que afasta muitas meninas dessa importante forma de socialização. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Behavioural Nutrition and Physical Activity e divulgados pelo jornal Daily Mail.

Quais seriam as saídas? Para os pesquisadores, na escola, seria importante pensar a atividade física de uma forma mais lúdica e prazerosa e, por tabela, menos competitiva, o que poderia atrair mais a população feminina para sua prática. No fim de semana, os pais também teriam de se esforçar ainda mais para convencer as filhas a deixar o sofá e as convidativas “telas” da tecnologia para passar mais tempo se mexendo fora de casa. 

Diabete tipo 2. Crianças menos ativas têm maior risco de desenvolver sobrepeso e obesidade, que são a origem do aumento do número de casos de doenças metabólicas que vem sendo detectado nessa faixa de idade, em todo mundo ocidental. Novo levantamento do King’s College London mostra que, nos últimos 20 anos, o número de crianças com diabete tipo 2 aumentou cinco vezes no Reino Unido. Além dos casos diagnosticados na infância, uma criança obesa tem, também, quatro vezes mais chance de desenvolver essa condição no início da vida adulta.

Nesse tipo de diabete, a insulina produzida pelo pâncreas enfrenta maior resistência em facilitar a entrada da glicose nas células. Os pesquisadores analisaram dados de 370 mil crianças entre 2 e 15 anos de idade e publicaram os resultados no Journal of the Endocrine Society. 

Obesidade e morte. Na mesma semana, outro estudo, da Cleveland Clinic e da New York University School of Medicine, nos EUA, apontou que obesidade é hoje a principal causa de mortes prematuras naquele país. Foram avaliados dados de 2014 que mostraram que a obesidade foi responsável por 47% mais anos de vida perdidos do que o cigarro ou a pressão elevada.

Os especialistas afirmam que as campanhas contra o cigarro fizeram com que esse fator de risco tivesse hoje um peso menor nas causas de morte precoce. Para eles, seria urgente seguir o mesmo tipo de abordagem com a obesidade. Para isso, seria essencial alterar o estilo de vida de parte da população, com mudanças no peso, atividade física e alimentação saudável.

Brasil. No País, dados do Vigitel 2016 (Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco por Inquérito Telefônico), divulgados no início de abril, sinalizam que quase 20% da população está obesa e metade do País está acima do peso. Nos últimos dez anos, a obesidade saltou de 11,8% para 18,9%, enquanto o sobrepeso passou de 42,6% para 53,8%. 

Bom lembrar que há dois anos o Diagnóstico Nacional do Esporte (Diesporte) já revelava que quase a metade da população brasileira de 14 a 75 anos estava sedentária. As mulheres e as pessoas mais velhas eram as que menos se movimentavam, principalmente nas regiões mais urbanizadas. Entre os jovens de 15 a 19 anos, um terço “não se mexia”. Como se vê, por aqui, os problemas são bem parecidos! 

* JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

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