Gestação do plesiossauro era como a das baleias e golfinhos

Segundo pesquisadores, esta é a primeira evidência de que réptil marinho não deixavam ovos na terra

Efe

12 Agosto 2011 | 10h21

 

WASHINGTON - Cientistas acreditam ter encontrado provas de que a gestação das fêmeas do plesiossauro - réptil marinho que viveu há quase 80 milhões de anos - durava até a maturidade dos embriões e o nascimento de seus filhotes era como o das baleias e golfinhos, segundo um artigo publicado pela revista Science.

 

A prova está no fóssil de um Polycotilus latippinus de 4,70 metros de comprimento, um dos répteis gigantes, carnívoros e com quatro nadadeiras, exibido na Sala de Dinossauros do Museu de História Natural em Los Angeles (Califórnia).

 

Os restos do réptil marinho que viveu durante a Era Mesozoica contêm o fóssil de um embrião que mostra grande parte do corpo em desenvolvimento, inclusive as costelas, 20 vértebras e os ossos de ombros, quadris e nadadeiras.

 

 

O estudo foi realizado pelo cientista Robin O'Keefe, da Universidade Marshall na Virgínia Ocidental, e pelo diretor do Instituto de Dinossauros do museu de Los Angeles, Luis Chiappe, um proeminente paleontólogo que já causou polêmicas com suas teorias sobre a origem das aves.

 

O'Keefe e Chiappe sustentam que o fóssil e seu embrião são a primeira mostra de que os plesiossauros pariam seus filhotes como os mamíferos marinhos atuais e não deixavam ovos na terra.

 

Embora o nascimento de filhotes vivos tenha sido documentado em outros vários grupos de répteis aquáticos da Era Mesozoica, até agora não tinham encontrado indícios de que isso teria ocorrido na ordem dos plesiossauros.

 

Chiappe e O'Keefe estão um passo além em sua teoria e dizem que determinaram que os plesiossauros foram únicos entre os répteis aquáticos porque davam nascimento a um único filhote, grande, e que podem ter feito parte de grupos sociais que cuidavam de seus filhotes.

 

"Os cientistas souberam por muito tempo que os plesiossauros não tinham muita aptidão para sair à terra e depositar seus ovos em um ninho", indicou O'Keefe. "Por isso, a falta de provas de que os plesiossauros dessem nascimentos vivos foi causa de confusão".

 

Segundo O'Keefe e Chiappe, o fóssil que se exibe em Los Angeles "documenta o nascimento vivo dos plesiossauros pela primeira vez e, dessa maneira, finalmente resolve o mistério".

 

O embrião, acrescentaram os pesquisadores, é muito grande em comparação com a mãe, e muito maior que o que poderia se esperar sobre a base da comparação com outros répteis.

 

"Muitos dos animais que vivem hoje dão nascimento a jovens grandes, únicos, e têm cuidado maternal", assinalou O'Keefe. "Nós achamos que os plesiossauros podem ter tido comportamentos similares, o que faria com que suas vidas sociais fossem mais parecidas às dos golfinhos modernos que às de outros répteis".

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