Governo federal troca critério de definição de microcefalia

Perímetro cefálico do bebê com má-formação cai de 33 para 32 centímetros; autoridades da saúde querem limitar excessos nas avaliações

Lígia Formenti, Enviada Especial / Recife

03 Dezembro 2015 | 20h33

RECIFE - O governo federal vai mudar os critérios para a definição de casos de microcefalia. A decisão, que começou a valer ontem em Pernambuco e nos próximos dias deverá ser estendida para todo o território nacional, reduz de 33 para 32 centímetros o perímetro cefálico do bebê considerado portador da má-formação. Na prática, menos pacientes serão considerados como casos “suspeitos”.

“Estávamos até agora pecando pelo excesso. Adotávamos uma marca mais rígida do que a Organização Mundial de Saúde (OMS), que há anos considera microcefalia apenas bebês com perímetro cefálico igual ou inferior a 32 centímetros”, afirmou a secretária executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco, Luciana Albuquerque. O Estado lidera as estatísticas de notificação de casos da microcefalia, cuja relação com o zika vírus já foi confirmada. Até a semana passada, eram 646 casos e 1.248 no País. 

“Verificamos que somente uma pequena parte dos pacientes que estão entre 32 e 33 centímetros apresentava calcificações, uma espécie de cicatriz que se forma no cérebro depois dos processos infecciosos”, disse Angela Rocha, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Não estamos relaxando os critérios. Agora, poderemos saber melhor o perfil dos bebês que de fato têm a má-formação relacionada com o zika”, afirmou.

A mudança dos parâmetros começou a ser discutida há uma semana, em uma reunião de especialistas organizada pelo Ministério da Saúde, em Brasília. 

Acompanhamento. Além da alteração do critério, Pernambuco anunciou ontem que vai acompanhar as gestantes com suspeita de zika. A medida também deverá ser estendida para outros Estados para tornar mais ágil a identificação e o acompanhamento dos bebês com microcefalia. 

Em Pernambuco, as mulheres que apresentarem sintomas de zika – manchas pelo corpo, coceira, febre – serão encaminhadas para um serviço de referência. Elas farão exames e, na última fase da gestação, a partir da 32.ª semana, serão submetidas a um ultrassom. Atualmente, um exame já é garantido, mas o período em que é feito fica a critério do médico. 

Agora, havendo suspeitas de microcefalia, a mulher fará mais de um exame. “É na fase final da gestação que podemos avaliar com maior precisão se o bebê tem ou não a má-formação”, disse Angela.

A gravidez não é considerada de risco e, mesmo que identificada a microcefalia do feto, a gestante continuará na rede básica. A mudança terá efeito sobretudo no atendimento do bebê. Uma vez diagnosticado, a ideia é deixar planejado exames e atendimentos necessários. O protocolo de Pernambuco também prevê a oferta de uma assistência psicológica para gestantes. O acompanhamento também será útil para se reunir informações que poderão ser usadas por autoridades sanitárias. 

Minas. A Secretaria Estadual de Saúde de Minas informou ontem que investiga as causas de 11 casos de microcefalia. A intenção é verificar se a má-formação do crânio tem relação com o zika vírus. Os registros foram feitos a partir do dia 11 de novembro, quando a notificação passou a ser obrigatória. 

“Cabe destacar que esta investigação é um processo que envolve diagnóstico não somente do zika, mas de outros agentes que possam ser responsáveis pela má-formação. Então, a gente precisa fazer um diagnóstico laboratorial com um painel ampliado”, disse Rodrigo Said, superintendente de Vigilância Epidemiológica. Ele afirmou que ainda não há confirmação de que o zika esteja circulando no Estado. / COLABOROU FLÓRENCE COUTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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