Governo foca ação no Rio para garantir Jogos Olímpicos

Limpeza de áreas das competições e de hospedagem será o centro; comitê local critica especulação, mas Planalto chegou a procurar COI

Tania Monteiro e Márcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2016 | 03h00

Incomodado com a possibilidade de danos à imagem após a revelação de o zika vírus pode ser transmitido pela saliva e pela urina, o governo pretende intensificar ações na cidade do Rio de modo a evitar qualquer ameaça à realização dos Jogos Olímpicos. O governo federal anunciou que trabalha em conjunto com o do Rio e com a prefeitura com foco na “limpeza” de áreas das competições e de hospedagem do pessoal. Esse trabalho será ampliado antes e durante os Jogos com o uso, por exemplo, de fumacê.

No Brasil, nem o governo federal, nem o Comitê Olímpico Internacional (COI) ou o Comitê Rio-2016 pensam ou cogitam a possibilidade de cancelamento ou adiamento da Olimpíada. O Rio-2016 criticou nesta sexta-feira as especulações sobre a possibilidade de suspensão dos Jogos por causa do surto de doenças relacionadas ao zyka vírus. “Fantasia” e “agenda negativa e desnecessária” foram algumas das expressões usadas pelo porta-voz da entidade para se recusar a comentar o assunto.

“O comitê se recusa a discutir uma hipótese construída em cima de uma fantasia. Claro que esse tipo de publicação gera uma agenda negativa, mas que é desnecessária. Os Jogos acontecerão em agosto, numa época em que não tem mosquito, e estamos diariamente fazendo inspeções nas instalações para combater focos de Aedes”, disse Mario Andrada, diretor de Comunicação do Rio-2016. Nos meses de inverno - afirmou - é muito baixa a proliferação do inseto, e o número de casos de doenças relacionadas a ele caem.

De qualquer modo, o Planalto mantém contato com o COI. O governo está consciente que explosão de casos de microcefalia assim como do número de pessoas com dengue, provocados pela proliferação do Aedes Aegypti, poderá reduzir o número de turistas dispostos a vir ao Brasil assistir à Olimpíada.

Nesse sentido, há quem defenda a realização de uma campanha internacional, em países-chave para o envio de turistas, mostrando que o País está fazendo o dever de casa e que, embora as grávidas tenham de estar sempre precavidas, não haverá perigos nos Jogos.

Esta ideia, no entanto, está longe de ter unanimidade. Um assessor do Planalto consultado disse “não ver sentido” em uma campanha deste gênero. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, declarou ao Estado que o governo “está tomando todas as providências para dar garantia e tranquilidade a quem quiser vir assistir aos Jogos.” Castro reafirma, no entanto, os cuidados que as grávidas que viajarem para o Brasil, assim como as que vivem no País, devem ter em razão do Aedes. 

A presidente Dilma Rousseff está pessoalmente empenhada e cobrando ações de todos os segmentos no combate ao mosquito. Embora existam entendimentos constantes entre a o comitê organizador e o governo federal, assessores do Planalto asseguraram que não há qualquer tipo de pressão sobre o Brasil pelo COI. Os entendimentos mais de perto tem sido feitos com o governo do Rio - o governador Luiz Fernando Pezão já cogitou até pedir auxílio das Forças Armadas para continuar a luta contra o mosquito.

O Planalto está se colocando à frente das ações, como deve acontecer no dia 13, quando a presidente Dilma deve participar no Rio da mobilização de combate aos criadouros do mosquito. O objetivo é que se alcance uma redução de casos da doença no período de chuvas.

Reação. O Ministério dos Esportes reagiu nesta sexta à publicação, pela revista americana Forbes sobre o tema. O texto, assinado por dois pesquisadores americanos, dizia que manter a Olimpíada seria “irresponsável”. “É como se uma família dissesse vamos a Chernobyl curtir os Jogos”, dizia o artigo. Em nota, o ministro George Hilton (PRB) lamentou a publicação. “Essa possibilidade (adiamento) não está em discussão.”

Para o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), os governos estão agindo, e a proliferação do zika vírus não afetará a Olimpíada. “Não acho que o mosquito vai afetar os Jogos. A Olimpíada serão realizadas no inverno, uma estação seca; não tem histórico do mosquito atuando nessa época do ano”, ponderou. / COLABOROU ALFREDO MERGULHÃO

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