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Felipe Dana/AP Photo

Governo minimiza recomendação para que grávidas evitem viajar a áreas com zika

Quatro horas depois de o comunicado internacional ter sido feito, o ministério emitiu nota curta, dizendo não haver restrição de viagem

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Lígia Formenti,
O Estado de S.Paulo

08 Março 2016 | 22h02

BRASÍLIA - O governo federal tentou nesta terça-feira, 8, reduzir a importância da recomendação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que grávidas evitem viajar para regiões onde há transmissão do zika – o que inclui o Brasil. Mas, nos bastidores, a orientação provocou alvoroço no Ministério da Saúde.

Quatro horas depois de o comunicado internacional ter sido feito, o ministério emitiu uma nota curta, dizendo não haver restrição de viagem. Técnicos federais chegaram a dizer até que não haveria novidade, uma vez que o mesmo recado já havia sido dado por autoridades sanitárias internacionais em outros informes, mas de forma mais branda. A diferença agora seria o tom, mais direto. 

Além do discurso oficial, no entanto, o alerta foi considerado como um fator a mais para inquietação das gestantes e mulheres brasileiras que vivem em áreas de transmissão. Uma das medidas para tentar reduzir essa sensação de intranquilidade estudadas pelo governo é a distribuição de repelentes para mulheres carentes. A medida vem sendo alinhavada há dois meses, mas esbarra em uma série de dificuldades.

O Ministério da Saúde tem pressa para fechar o acordo – que tem como alvo gestantes atendidas pelo Bolsa Família. Na segunda-feira, uma reunião foi feita com fabricantes de repelentes e representantes de órgãos de controle para definir detalhes da compra, que seria feita em formato de pool: empresas se uniriam para vender de forma conjunta.

A ideia do governo federal é adquirir 300 mil litros do produto para 484 mil gestantes. Mas há dúvidas sobre prazo de entrega do produto, o compromisso de não haver desabastecimento do mercado e a apresentação. Ainda se quer iniciar a distribuição do repelente o mais rapidamente possível – sob pena de o acordo ser feito somente depois de o período de maior pico de transmissão ter passado.

Turismo. O Ministério do Turismo, por sua vez, em nota enviada ao Estado, “reitera que não há restrição de viagens para regiões com transmissão do vírus da zika” e lembra que “o governo federal, em parceria com Estados e municípios, está adotando diversas medidas que visam a proteger não só os brasileiros, mas também os estrangeiros que vierem ao País para os Jogos Olímpicos”. E ressaltou que o mês de agosto “é considerado não endêmico para transmissão de doenças causadas pelo Aedes aegypti, como zika, dengue e chikungunya”. 

Ainda na nota, o Ministério do Turismo esclarece que em sua página na internet oferece informações sobre saúde aos viajantes e o conteúdo, que é atualizado constantemente pelo Ministério da Saúde, está disponível em português, inglês, espanhol e francês. Lembra também que “as redes sociais da pasta também estão engajadas para levar mais informações sobre o assunto”.

Já a Embratur afirmou que tem monitorado casos de cancelamento ou adiamentos de viagens ao Brasil e, “até o momento, as desistências foram pontuais, em sua maioria relacionadas a gestantes”. De acordo com a empresa, com o objetivo de compreender o comportamento dos turistas e contribuir para que eles se sintam mais seguros, a comunicação com operadores, agentes de turismo e parceiros internacionais foi reforçada.

A Agência Brasileira de Agências de Viagens (Abav) não quis comentar a recomendação da OMS. Mas afirmou que também não registrou alterações significativas no número de cancelamentos de viagens. / COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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