WILTON JÚNIOR/ESTADÃO
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Governo negocia distribuição de repelentes a grávidas

Entrega, vista como um ‘quebra-galho’, seria feita só para gestantes; ação contra o ‘Aedes aegypti’ ainda é a prioridade

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2015 | 21h23

A distribuição de repelentes para gestantes, como forma de se evitar a infecção por zika e, em consequência, a microcefalia nos bebês, deverá ser discutida nesta quinta-feira, 17, na Casa Civil. Representantes do setor produtivo devem apresentar dados sobre qual seria a capacidade de atender à demanda atual, quanto tempo seria necessário para ajustar a produção e, sobretudo, qual seria o preço de um eventual fornecimento para a população.

Considerada como uma estratégia “quebra galho” pelo próprio diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, a entrega do repelente seria feita somente para gestantes atendidas pela rede pública de saúde. 

Além dessa medida, o governo recomenda que mulheres se esforcem para adotar outras proteções: o uso de roupas de manga comprida, sapatos, mosquiteiros e telas nas janelas das casas. “Tomem os cuidados devidos, porque a coisa não é brincadeira”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Castro, em uma audiência realizada nesta quarta na Câmara dos Deputados.

Especialistas também têm recomendado cuidado com “repelentes caseiros”. Como destaca Mário Sérgio Ribeiro, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Saúde do Estado do Rio, não há comprovação científica de sua eficácia.

‘Aedes’. Maierovitch tem afirmado que o essencial para o combate à epidemia é eliminar os criadouros do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Nesta quarta, Castro afirmou ter havido “contemporização” no combate ao mosquito ao longo dos anos. “Não estou culpando ninguém, mas ficamos na loteria.”

Uma das medidas que serão adotadas é a adição de larvicidas na água entregue à população no semiárido do País, por meio de carros-pipa. Uma das possibilidades é a de que o produto seja adicionado diretamente nos caminhões. “Essa é uma medida segura. A água já iria protegida”, afirmou o coordenador do Programa de Combate à Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho.

Várias regiões do Nordeste sofreram com a falta de larvicida nos últimos meses, em razão do atraso na entrega do produto - comprado por licitação. De acordo com ministério, essa situação já foi regularizada. 

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