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País receberá 3,5 milhões de vacinas contra febre amarela da OMS

Ministério solicitou imunizantes a organismos internacionais para recompor estoque; Rio amplia imunização após encontrar macacos mortos

Lígia Formenti, Fábio Grellet e Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 20h10
Atualizado 17 Março 2017 | 23h06

O Ministério da Saúde recorreu a ajuda internacional para abastecer os estoques de vacina contra febre amarela. Diante da decisão do Rio de vacinar, até o fim do ano, toda a população do Estado e da epidemia registrada em vários pontos do Brasil, o Ministério da Saúde receberá 3,5 milhões de doses de organismos internacionais. Os imunizantes deverão chegar ao País na próxima semana. 

As doses extras foram pedidas ao Grupo de Coordenação Internacional para o Fornecimento de Vacinas, formado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades. Além disso, o ministério pediu que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) passe a produzir o imunizante em sua capacidade máxima: 9 milhões de doses mensais. Esse quantitativo, segundo a pasta, deverá estar disponível já em abril. Integrantes do ministério afirmam que as duas medidas são suficientes para garantir o abastecimento adequado em todo o País. Mesmo com essas duas decisões, o governo não cogita suspender a exportação da vacina para entidades internacionais.

A pasta justificou que o pedido de doses extras é uma estratégia para não reduzir de modo significativo o estoque de imunizantes. A dimensão dessa reserva é mantida sob sigilo, sob a alegação de ser informação de segurança.

Com a decisão do Rio de vacinar até o fim do ano toda população, serão necessárias cerca de 15 milhões de doses. Na quinta, foi enviado 1 milhão. A previsão é a de que em dez dias outro milhão seja entregue. Até abril, mais 2 milhões serão enviados ao Estado. A estimativa do governo federal é de distribuir 70 milhões no País neste ano. 

 

 

Segundo o ministério, a vacinação contra a febre no Rio será gradual. A mesma estratégia foi adotada no Espírito Santo, Estado que até este ano era considerado livre de febre amarela. Um macaco morto com suspeita da doença, achado em Juiz de Fora, fez com que a Secretaria de Saúde fluminense antecipasse a imunização em nove cidades da Região Serrana, entre elas Petrópolis e Teresópolis, perto da divisa com Minas. A ideia é formar um cordão protetor contra a doença.

Ao cinturão de proteção de Casimiro de Abreu, onde houve uma morte confirmada pela doença no Rio, foram acrescidas nesta sexta cinco cidades da Região dos Lagos e três do norte fluminense. Com essa inclusão no calendário antecipado de imunização, o Estado já está vacinando 64 cidades estratégicas – de 92 municípios. 

Casos. Nesta sexta, a enteada do pedreiro Watila dos Santos, de 38 anos, morto pela febre em Casimiro de Abreu, foi transferida a São Gonçalo, no Grande Rio. A menina, de 9 anos, está internada desde quarta-feira e aguarda o resultado dos exames. Seus irmãos, de 13, 8 e 6 anos, continuam em observação. 

A mãe das crianças, Mariana Conceição, foi internada na segunda-feira. Ao todo, a Secretaria Municipal de Saúde notificou seis casos da família como suspeitos para febre amarela. Joaquim Santos, de 45 anos, tio de Watila, também está internado.

Em dois dias de vacinação intensificada em Casimiro foram imunizados 75% dos 42 mil moradores. Só no hospital de campanha montado na cidade foram vacinadas 4,2 mil pessoas entre as 17 horas de quinta e as 13 horas de sexta. Os trabalhos entraram pela madrugada.

Quatro adultos e três crianças tiveram reações adversas à vacina – sofreram com febre e dores no corpo no dia seguinte à imunização. 

Embora as autoridades reafirmem que não é necessário pânico, os cariocas continuam lotando postos. Em alguns, as filas iniciam antes das 6 horas – a imunização é a partir das 8 horas. O Estado apurou que há até quem minta que vai viajar para regiões mais perigosas para ter prioridade na vacinação. 

Estratégia. Passada a epidemia, o governo deve mudar a estratégia de vacinação contra febre amarela. A ideia é incorporá-la no programa de imunização para crianças de todo o País. Hoje, a vacina é ofertada no calendário vacinal só para crianças em regiões de risco.

Mas infectologistas consideram que essa estratégia não é mais suficiente para enfrentar a mudança do perfil da doença no Brasil. Ao longo dos últimos 20 anos, ela se espalhou. 

Em 2001, 1.945 municípios tinham recomendação para que população fosse vacinada. Em dezembro, os municípios com recomendação chegaram a 3.530. Além disso, a cobertura vacinal está bem abaixo do ideal. A melhor estratégia para evitar novos surtos, avaliam consultores do ministério, é incorporar a vacina na rotina e imunizar crianças./ COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

 

 

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