Andre Lessa/AE
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Governo quer reduzir doenças evitáveis que ainda matam indígenas

Segundo secretário, 630 crianças menores de 1 ano morreram no ano passado em decorrência de males que podem ser prevenidos, como doenças respiratórias e diarreia

Agência Brasil,

14 Setembro 2012 | 14h28

 O secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, disse que o avanço da tuberculose entre populações indígenas brasileiras preocupa o governo federal. Dados do Ministério da Saúde indicam que a prevalência da doença nas aldeias é 102 casos para cada grupo de 100 mil, enquanto entre populações não indígenas o índice é de 37,9.

Durante reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS), ele destacou ainda que 630 crianças menores de 1 ano morreram no ano passado em decorrência de males que podem ser prevenidos, como doenças respiratórias e diarreia. “Se são causas evitáveis, temos que fazer de tudo para evitá-las”, avaliou o secretário.

Alves lembrou que o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta a existência de 304 etnias indígenas no Brasil. Ao todo, cerca de 896 mil brasileiros se declararam índios. Desses, 620 mil moram em aldeias e os demais em periferias de centros urbanos.

Ao comentar seus primeiros meses de atuação na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), criada em 2010, ele avaliou que a transição para uma nova política do setor não foi encerrada. “Vai demorar ainda algum tempo para que a gente, de fato, tenha um subsistema devidamente estruturado com condições de trabalho e de atendimento às populações indígenas dignas”, ressaltou.

O secretário apontou que 414 estabelecimentos que dão apoio à Sesai precisam ser reformados, enquanto 452 precisam ser ampliados. O número representa quase 70% do total de unidades destinadas à saúde indígena. “Isso mostra as condições em que recebemos as estruturas”, disse Alves.

Ainda durante a reunião, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Vale do Javari (AM), Jorge Marubo, disse reconhecer o esforço político destinado à reestruturação da saúde indígena, mas ressaltou que a qualidade dos serviços nas aldeias ainda não é a ideal.

“Sabemos que em um ano, em dois anos ou em cinco anos não vamos conseguir superar toda essa situação caótica que enfrentamos”, avaliou. “Um dos avanços que tivemos foi a autonomia dos distritos sanitários especiais indígenas, mas faltam equipes para compor a comissão”, explicou. De acordo com ele, “problema neste momento é de gestão administrativa, é a falta de gestores”, concluiu.

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