Governos deveriam controlar nível de sal nos alimentos, diz estudo australiano

Quando empresas reduzem teor, doenças e derrames caem 1%, o que sobe para 18% com intervenção estatal

Reuters

03 Novembro 2010 | 18h01

SINGAPURA - Governos de todo o mundo deveriam impor controle sobre o conteúdo de sal nos alimentos para combater doenças do coração, em vez de deixar essa incumbência aos produtores de alimentos, afirmam pesquisadores que lideraram um estudo sobre o tema na Austrália.

O estudo, publicado na última terça-feira, 2, na publicação médica britânica Heart, mostrou que, quando as empresas de alimentos controlam o teor de sal, os índices de doenças cardíacas e derrames caem cerca de 1%, mas, quando o governo impõe regras, essas taxas diminuem 18%.

A autodisciplina das pessoas para controlar a ingestão de sódio foi considerada o método menos eficaz, reduzindo doenças cardíacas e enfartes em apenas 0,5%.

Comer muito sal aumenta a pressão arterial e coloca as pessoas em risco de derrames e cardiopatias - doenças crônicas que absorvem a maioria dos recursos destinados à saúde pública.

"Se nós confiarmos nas empresas para que, voluntariamente, diminuam o teor de sal dos produtos, haveria algum benefício, mas os ganhos com reduções obrigatórias seriam 20 vezes maiores", disse Linda Cobiac, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Queensland, na Austrália.

Na Austrália, 94% dos homens e 64% das mulheres comem mais sal que o recomendado, segundo Linda, enquanto um estudo recente mostrou que 9 em cada 10 americanos ingerem muito sal.

"Quando o consumo é tão excessivo, faz sentido que o governo intervenha", afirmou a pesquisadora. "Cortar o teor de sal nos alimentos representa uma economia de custos para o governo a longo prazo", completou.

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