Gripe: profissionais estão despreparados, diz especialista

Protocolos federais são adequados, diz epidemiologista, mas o sistema não está à altura de segui-los

Fabiane Leite, de O Estado de S. Paulo,

24 Julho 2009 | 17h38

O epidemiologista Roberto Fizsman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considera que os protocolos do Ministério da Saúde para o tratamento da gripe são satisfatórios para a realidade nacional, mas enfatiza que os profissionais de saúde não são preparados para, por exemplo, fazer a correta investigação de condições graves. Somente paciente críticos atualmente recebem tratamento e são testados para a nova gripe.

 

Veja também

link60% dos casos de gripe no País já são de H1N1, diz Saúde

link Ministério corrige para 29 o número de mortos pela gripe suína    

 

"A questão é ter um sistema de saúde bom o bastante para seguir os protocolos", afirma Fizsman. "Esses dias perguntei a médicos quantos dos 50 a 60 casos de síndrome gripal que tinham atendido foram vinculados ao surto atual. Eles não sabiam do que eu estava falando. Quem está na trincheira, no atendimento diário, não tem esta preocupação", destaca o médico.

 

Segundo Fizsman, casos como o da grávida do Rio de Janeiro que perambulou entre serviços de saúde buscando atendimento e morreu da doença, ou do bebê de Diadema (SP) que passou pela mesma situação, indicam o despreparo dos profissionais para seguir as orientações do ministério.

 

A infectologista Nancy Bellei, da Unifesp, destaca que a definição de tratar só os graves foi uma medida radicalmente oposta ao protocolo anterior do ministério, que previa o tratamento de todos os casos confirmados. Além disto, destaca, há muitas diferenças em relação aos protocolos de outras nações.

 

O Canadá, por exemplo, trata todas as grávidas com sintomas, independentemente da gravidade, diz Nancy. "Na Austrália, o tratamento é dado preferencialmente em 48 horas após os sintomas, mas o paciente pode retornar ao serviço depois se piorar e receber". No Brasil, o remédio só é dado até 48 horas após as manifestações da gripe, o que segundo o ministério é o prazo em que o medicamento é eficaz.

 

O Ministério tem destacado que todos os seus protocolos seguem orientações da Organização Mundial da Saúde.

Mais conteúdo sobre:
gripe suína

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.