Gripe suína detona onda de embargo a carne de México e EUA

China, Rússia, Coreia do Sul, Indonésia e Tailândia impedem a entrada de carnes dos países afetados pelo surto

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

27 Abril 2009 | 12h33

GENEBRA -
O embargo à carne suína se prolifera, mesmo com as garantias da OMS, FAO e de produtores de que o consumo não aumenta o risco de uma pandemia de gripe suína. O Brasil iniciou uma ofensiva diplomática para garantir que entidades internacionais esclarecessem que o consumo de carne não é uma ameaça. China, Rússia, Coreia do Sul, Indonésia e Tailândia anunciaram que estão impedindo a entrada de carnes dos Estados Unidos e México. Em teoria, o embargo poderia favorecer as exportações brasileiras, que não foram atingidas pelas medidas de restrição. Mas os produtores e o governo são cautelosos e preferem manter um esforço generalizado para garantir que não haja um fechamento dos mercados.

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"Não queremos que esse problema se chame gripe suína. Ela é uma gripe mexicana", afirmou Pedro Camargo, presidente da Associação dos Produtores de Carne Suína no Brasil. Segundo ele, o vírus não é um problema animal e não existem casos de contaminações e surtos entre suínos. "O problema é de saúde humana, não animal", disse, temendo que um eventual caso registrado no Brasil acabe colocando o País também na lista dos exportadores que sofrem embargos pelo menos.

O Ministério da Agricultura encontrou em contato ontem com a alta cúpula da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, em Paris) e conseguiu um compromisso da entidade de que um comunicado seria publicado alertando que não existe um problema de saúde animal e que o consumo de carne não precisa ser suspenso. Os embargos, portanto, seria injustificados. Durante o dia de ontem, rumores circularam de que a Ucrânia iria barrar toda a carne suína das américas, inclusive o Brasil.

Por enquanto, o país mais afetado são os Estados Unidos. 25% de toda a produção de carne suína americana é destinada â exportação. Segundo a Federação de Exportadores de Carne dos Estados Unidos, o setor teve benefícios de US$ 4,9 bilhões em vendas ao exterior em 2008.

A FAO alertou que o vírus H1N1 pode ser contraído pelo contato direto com porcos, mas carnes cozidas não seriam uma ameaça. Mesmo assim, a Rússia já anunciou o embargo total contra as carnes de suíno do México e do sul dos Estados Unidos, mesmo em locais não afetados como a Flórida. Os russos estão entre os maiores importadores do mundo.

Além do México e Estados Unidos, os russos estabeleceram embargos sobre Cuba, Guatemala, Honduras, República Dominicana, Colômbia, Costa Rica, Nicarágua, Panamá e El Salvador. A Coreia do Sul também anunciou que estará verificando as importações americanas e mexicanas. Outro país que decretou um embargo foi a Sérvia.

Na China, o governo ontem anunciou o embargo. Os carregamentos de carne suína vindos do México, Texas, Califórnia e Kansas serão devolvidos ou destruídos. Os chineses são os maiores produtores e consumidores de carne suína, que representam 60% do consumo de carnes no país. Em 2008, a China importou 1 milhão de toneladas de carne suína americana diante de problemas sanitários em sua própria produção.

Em resposta ao Estado, a OMS alertou que não existe qualquer sinal de que o consumo de carne suína cozida esteja no centro do problema. "Não há nada que indique isso", afirmou Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS. No Japão, o governo também fez um pronunciamento na TV para tentar acalmar os consumidores e dizer que comer carne suína ainda é seguro.

Mas, no Egito, o governo ordenou um exame em 350 mil porcos no país. Na Itália, os produtores do setor de suínos alertaram que não há motivos para o pânico. Segundo a entidade Coldiretti, o temor gerado pelos surtos da Vaca Louca em 2001 e pela gripe aviária em 2005 gerou perdas milionárias aos produtores.

As ações de empresas ligadas ao setor de carnes suína desabaram ontem. O valor no mercado da Nippon Meat Packers do Japão, por exemplo, teve queda de 4%. Inc. Quem ganhou foram as empresas de frango e pescados, com alta de mais de 11%.

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