Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Horto Florestal é fechado após macaco morto com febre amarela ser achado

Parque foi interditado temporariamente para ação de controle de mosquitos e para evitar riscos aos moradores e visitantes

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 21h00

SÃO PAULO - Pela primeira vez desde o início do surto de febre amarela deste ano, um macaco foi encontrado morto em decorrência da doença na capital paulista. O animal, um bugio, foi achado no Horto Florestal, na zona norte de São Paulo. Exames feitos no animal concluídos nesta sexta-feira, 20, confirmaram a presença do vírus.

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O horto foi interditado temporariamente para ação de controle de mosquitos e para evitar riscos à população que vive no local ou o visita. As Secretarias de Estado da Saúde e do Meio Ambiente, em parceria com a Prefeitura, vão realizar neste sábado, 21, a partir das 9 horas, uma ação de prevenção, vacinando cerca de 3 mil pessoas que vivem dentro do parque.

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De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a partir de segunda-feira, 23, começará uma ação de intensificação vacinal preventiva de pessoas que moram nas proximidades do Horto Florestal. A previsão é vacinar cerca de 500 mil pessoas nos bairros fronteiriços ao horto ao longo de um mês.

Atualmente, São Paulo não é listada como área de recomendação de vacina. E, por isso, a cobertura vacinal da população é considerada pequena. Até então, só deveriam se vacinar moradores que estivessem viajando para locais com a doença, por exemplo, a Amazônia ou a região norte do Estado, como Ribeirão Preto, e locais considerados pelo Ministério da Saúde como de recomendação para a vacina. Ao menos neste primeiro momento, isso não deve mudar. 

 

"Ainda não dá para dizer que o município, mesmo que provisoriamente, tenha de ter recomendação para a vacinação. Não estamos preconizando de forma nenhuma que toda a população tenha de se vacinar", disse ao Estado a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica Estadual, Regiane Aparecida Cardoso de Paula.

Ela destacou que a febre amarela que matou o bugio é do tipo silvestre, transmitida pelo mosquito do gênero Haemagogus, que vive somente em regiões rurais e de mata. Não há, segundo ela, transmissão urbana da doença.

"A prevenção neste momento será fechar o parque. Ao mesmo tempo, vamos fazer uma ação de coleta dos vetores (mosquito) no horto e iniciar um mapeamento de toda a região, inclusive do Parque da Cantareira, atrás de macacos mortos ou carcaças, para tentar descobrir como aquele animal chegou ao horto", afirmou. Isso vai orientar as ações de prevenção.

Segundo ela, outra coisa que deve mudar a partir de agora é que será exigido comprovante de vacinação contra a febre amarela dos visitantes do horto. Para entrar, eles terão de ter se vacinado ao menos 10 dias antes.

"O vetor fica nas copas das árvores, que é onde o bugio e outros macacos também vivem. No Horto e na Cantareira temos a maior população de bugio. O homem só vai ficar em risco de ser contaminado quando acabar essa população", declarou.

Avanço

Nos últimos meses, mortes de macacos vêm sendo registradas em várias partes do Estado, o que levou a Secretaria de Estado da Saúde a retomar ou prolongar a vacinação no interior, mas não na capital. Os primeiros casos em Campinas surgiram em abril, e o Estado iniciou um monitoramento dos corredores ecológicos. Mais recentemente, Franco da Rocha e o distrito de Anhanguera também passaram a ter vacinação.

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