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Hospital de Câncer de Barretos fica 6 meses sem verba

Complexo que trata a doença no interior paulista devia receber R$ 24 mi da gestão Alckmin

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 09h00

O governo do Estado de São Paulo atrasou por seis meses o repasse para o Hospital de Câncer de Barretos, no interior paulista, maior unidade para tratamento da doença no País. Entre janeiro e junho, o complexo hospitalar de Barretos e sua filial em Jales deixaram de receber cerca de R$ 24 milhões. Sem a verba, o hospital teve de fazer um empréstimo bancário de R$ 30 milhões para continuar a funcionar.

Responsável pelo atendimento de cerca de 5 mil pacientes por dia, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a instituição filantrópica do interior paulista tem como principal fonte de financiamento a verba enviada pelo Ministério da Saúde, no valor de R$ 13,5 milhões. A unidade de Jales, no entanto, ainda não é custeada por verba da União porque aguarda processo de credenciamento no órgão federal.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo repassa um valor extra ao hospital para auxiliar nas despesas. Essa verba, de R$ 4 milhões por mês, deixou de ser paga em janeiro.

“O que tínhamos sido informados é que teria um corte de 10% no repasse mensal do Estado, por causa da queda na arrecadação, mas até aí, tudo bem, já estávamos esperando. O problema foi que o dinheiro deixou de vir integralmente. E, com a fila de pacientes que temos, não dava para reduzir o atendimento”, relata Henrique Prata, diretor-geral do hospital. Ele afirma que só nos alojamentos oferecidos pelo hospital para pacientes que aguardam tratamento há 2 mil pessoas esperando cirurgias oncológicas.

“No hospital de Jales, por exemplo, poderíamos atender mais gente, porque temos quatro centros cirúrgicos e só dois estão funcionando. Mas não tenho como atender mais gente se o repasse não é suficiente nem para os que já atendemos hoje”, afirma.

O diretor diz que os repasses estaduais foram retomados no fim de junho, com a promessa de que, a cada mês, seriam pagas duas parcelas para compensar o atraso do primeiro semestre. “Em junho e julho foram pagas duas parcelas, mas em agosto e setembro só recebemos uma”, diz.

Prata afirma que o custo que tem com todas as unidades do complexo é de R$ 27 milhões mensais. Mesmo quando recebe integralmente os valores do ministério e da secretaria, que somam R$ 17,5 milhões, a conta não fecha. “O que salva é que temos força para pedir doação para a sociedade. Todo mundo ajuda. Se não fosse isso, o hospital estaria fechado”, diz. O Hospital de Câncer de Barretos é conhecido por conseguir doações de artistas, principalmente os sertanejos. Os pavilhões do hospital levam os nomes das celebridades colaboradoras.

Demora. Paciente da unidade de Jales, o pintor automotivo João Nunes dos Santos, de 59 anos, foi diagnosticado com câncer de próstata em janeiro, mas só conseguiu ter a cirurgia de retirada do tumor agendada para novembro. “O atendimento é muito bom, mas fico me perguntando a razão da demora. A gente quer fazer o tratamento logo. Já perdi meu pai, minha mãe e meu irmão para o câncer. Quero acreditar que comigo vai ser diferente”, diz.

O paciente afirma que, sabendo das dificuldades financeiras do hospital, tem recolhido mantimentos para fazer um leilão e doar o dinheiro ao hospital. “O certo seria o governo repassar mais dinheiro. Mas, como conheço muita gente na minha cidade, resolvi tentar ajudar também e pedir doações para os conhecidos. Já consegui mais de 400 quilos de mantimentos”, afirma ele, que é morador de Paranaíba, em Mato Grosso do Sul.

Burocracia. A Secretaria Estadual da Saúde informou que a falta de repasses entre janeiro e junho aconteceu por uma demora no processo de elaboração do contrato com o Hospital de Câncer de Barretos.

A pasta disse que, em julho, acordou com o diretor da unidade que regularizaria os repasses, pagando duas parcelas por mês – uma referente ao mês vigente e outra retroativa a um mês em que a verba não foi paga.

A secretaria apresentou ao Estado recibos de depósitos bancários atestando já ter pago dois meses retroativos ao hospital de Barretos e três ao de Jales. O governo do Estado diz que, portanto, não há atraso no pagamento dos retroativos. Após receber a resposta da secretaria, no início da noite desta quarta, a reportagem não conseguiu contato com um porta-voz do hospital.

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