Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Hospital São Paulo ameaça fechar serviços

No fim de março, instituição já havia feito restrições de atendimento; sem mais verba federal, diz direção, ambulatórios serão desativados

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

20 Abril 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Nos primeiros 17 dias de suspensão de atendimentos por causa de uma crise financeira, o Hospital São Paulo, na zona sul, deixou de atender cerca de 14,2 mil pacientes em seu pronto-socorro e ameaça, agora, fechar mais serviços caso o Ministério da Saúde não destine verba extra ao custeio da instituição.

Com uma dívida estimada em R$ 160 milhões, a direção do hospital anunciou no dia 30 de março que fecharia o pronto-socorro, mantendo apenas o atendimento dos casos de urgência. As internações e cirurgias eletivas também foram suspensas por tempo indeterminado.

Em entrevista coletiva realizada ontem, os gestores da unidade informaram que a média de atendimentos diários no pronto-socorro caiu 56% no período, passando de 1.137 para 499. O número de cirurgias caiu 18% e 461 pacientes entraram na fila de espera por internação desde o dia 30 de março, lista que já acumula 7 mil nomes.

“Dá vontade de chorar quando a gente vê esses números”, disse o diretor-superintendente do hospital, José Roberto Ferraro. Ele e outros membros da direção já tiveram três audiências com o ministro da Saúde, Ricardo Barros e, na última, solicitaram um aporte extra de R$ 1,5 milhão por mês (R$ 18 milhões por ano) para poder retomar os atendimentos.

Segundo Ferraro, no entanto, o ministro teria sinalizado que uma possível solução para o hospital seria reduzir o número de atendimentos feitos. “Ele nos questionou por que temos tantos pacientes na lista de espera, falou para não atendermos pessoas que não são da nossa região. Mas isso é impossível se você é um hospital porta aberta”, disse Ferraro. “Eu acho um absurdo um gestor de saúde pedir para um serviço diminuir os atendimentos”, opinou.

A direção do hospital afirmou que, caso a verba federal extra não seja aprovada, há o risco de outros setores e ambulatórios do hospital fecharem as portas. “Não sei quanto o hospital aguenta”, afirmou Ferraro.

R$ 149 milhões em dívida. Presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), entidade que administra o hospital, Ronaldo Laranjeira afirmou que, embora a crise do hospital venha de pelo menos cinco anos, a situação tornou-se ainda mais preocupante agora porque o hospital não tem mais condições de se endividar. “Já temos R$ 149 milhões de dívidas com bancos. Eles não nos emprestam mais. Não temos outra possibilidade de financiamento”, afirmou.

Questionado, o Ministério da Saúde disse que, em reunião no último dia 3, o ministro solicitou aos gestores do hospital informações sobre a situação financeira e quantidade de atendimentos realizados para, a partir desse levantamento, analisar “soluções conjuntas com as secretarias de saúde do Estado e da capital para garantir a assistência da população”. 

A direção do hospital afirmou que já enviou ao governo federal os dados pedidos há cerca de uma semana e aguarda posicionamento sobre a possibilidade de receber novos repasses.

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Hospital São Paulo corre risco de perder R$ 41 mi/ano

Recurso até agora é garantido do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

20 Abril 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Além de não ter a garantia de mais repasses federais para minimizar sua crise financeira, o Hospital São Paulo enfrenta outra ameaça: a de perder o recurso até agora garantido do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), no valor de R$ 41 milhões por ano.

Segundo Soraya Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entidade à qual o HSP está vinculado, a direção recebeu um ofício do Ministério da Saúde comunicando que o recurso poderia ser cortado porque a unidade não se enquadra nas características de um hospital universitário. “Eles alegam que, como a entidade mantenedora do hospital é a SPDM, ele seria filantrópico e não de ensino. Isso é um absurdo. Temos todas as credenciais de um hospital de ensino. Se perdermos essa verba, inúmeras pesquisas estarão em risco”, comentou a reitora.

Questionada, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, órgão do Ministério da Educação que cuida dos hospitais universitários, afirmou que, segundo portaria interministerial de 2010 que regulamenta o Rehuf, os hospitais considerados universitários federais devem destinar toda a sua capacidade instalada ao SUS. O órgão afirma que, embora o Hospital São Paulo esteja na lista de instituições universitárias federais, o Ministério da Saúde questionou a permanência do mesma no programa porque uma parcela dos atendimentos feitos no centro médico são de pacientes de convênios.

Diante do questionamento do Ministério da Saúde, a empresa afirma que solicitou a manifestação do hospital e dos ministérios da Educação e do Planejamento para subsidiar sua decisão, ainda sem data para ser tomada. O Hospital São Paulo afirma que mais de 90% dos atendimentos no hospital são SUS e que já enviou suas explicações para a empresa. 

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