Glenn Summerhayes e Andrew Fairbairn/Divulgação
Glenn Summerhayes e Andrew Fairbairn/Divulgação

Humanos já viviam em grandes altitudes há 50.000 anos

Descoberta na Papua-Nova Guiné sugere que o homem primitivo sabia se adaptar ao frio intenso

REUTERS, REUTERS

30 Setembro 2010 | 15h53

Arqueólogos descobriram evidências que sugerem que os humanos primitivos enfrentaram temperaturas geladas para ocupar as terras altas de Papua-Nova Guiné há 50.000 anos, em busca por alimento.

 

Trabalhando em cinco sítios arqueológicos a cerca de 2 km acima do nível do mar, pesquisadores de Papua-Nova Guiné, Austrália e Nova Zelândia descobriram vestígios de castanhas queimadas e ferramentas de pedra datadas de 50.000 anos.

 

"Este é o primeiro sinal de pessoas numa altitude tão elevada num tempo tão antigo", disse o antropólogo Glenn Summerhayes, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

 

Especialistas supõem há tempos que seres humanos primitivos deixaram a África e se espalharam pelas regiões costeiras para ocupar o restante do planeta, mas Summerhayes diz que a descoberta mostra que este não foi necessariamente o caso.

 

"É um testemunho da adaptabilidade humana. Antes, presumíamos que os povos modernos mais primordiais eram conservadores, adaptados a um clima costeiro mais quente, o que permitiu que se espalhassem depressa pelo planeta", disse Summerhayes, principal autor do artigo sobre a descoberta, publicado na revista Science.

 

"Bem, agora temos evidência de que eles eram na verdade bem adaptáveis, deslocando-se para altas altitudes em busca da castanha, o que significa que tinham conhecimento prévio da planta".

 

A árvore pândano produz folhas que são úteis no artesanato e um fruto semelhante ao abacaxi. Os pesquisadores também encontraram grãos de amido de inhame que, acreditam, foi coletado de seu local natural de crescimento, nas terras baixas.  

 

Os colonizadores primitivos desbravaram um pedaço de terra na área alta para cultivar plantas, disse Summerhayes. Machados de pedra encontrados provavelmente foram usados para cortar a vegetação nativa e abrir clareiras na floresta.

 

As temperaturas na área atingem um máximo de 20º C na hora mais quente do dia e acém bastante à noite. "Eles precisavam ter algum tipo de roupa", disse o cientista. "Se você ficasse sem roupa lá em cima, você morreria de hipotermia".

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