DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Início das aulas é momento para aderir às lancheiras saudáveis

Para nutricionistas, começo do ano letivo é ideal para mudanças de hábito e adoção de uma rotina mais nutritiva para as crianças

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 07h00

O começo do ano letivo traz muitas preocupações para os pais: material, uniforme, transporte e, também, o que colocar nas lancheiras das crianças. A falta de tempo e, às vezes, a falta de criatividade, fazem com que muitos caiam em "armadilhas" e recorram aos salgadinhos e guloseimas industrializadas. Para nutricionistas, especializadas em alimentação infantil, o começo das aulas é importante para que os pais adotem uma rotina organizada para preparar lancheiras mais saudáveis até o fim do ano. 

De acordo com as especialistas, o lanche escolar não precisa custar caro ou demandar muito tempo, se os pais se programarem e montarem uma rotina semanal. A primeira recomendação é que os pais montem um cardápio que possa ser seguido durante a semana e que comprem os alimentos no fim de semana.

"Algumas coisas podem ser preparadas antes e já ser separadas em potinhos e facilitar na correria do dia a dia. Por exemplo, comprar uvas e já deixá-las lavadas nos potinhos, comprar pão ou bolachinhas integrais, preparar um bolo de frutas sem recheio que pode ser levado para a escola", disse Vera Lúcia Perino Barbosa, presidente do Instituto Movere, que trata da obesidade infantil. Outra dica é envolver as crianças na prepação e levá-las ao mercado para escolher os alimentos. 

Tatiana Silva Damasceno, nutricionista do instituto, disse que não é preciso ser "radical" para montar o cardápio das lancheiras e abolir todos os industrializados, mas fazer "escolhas inteligentes". "Hoje temos bons produtos prontos no mercado. É importante ler os rótulos e dar preferência para alimentos integrais, com pouco açúcar e sem gordura trans." 

Para as nutricionistas, o importante é encontrar um equilíbrio e preparar lanches que tenham sempre alimentos dos três principais grupos de alimentos: os energéticos (carboidratos, como os pães, biscoitos e bolos caseiros), reguladores (ricos em vitaminas e minerais, como frutas, verduras e legumes) e os construtores (importantes para o crescimento, como as carnes, ovos e lácteos). 

"O lanche é muito importante porque auxilia as refeições principais. Se a quantidade for ideal, a criança não vai comer demais  ou querer pular o almoço ou jantar", disse Tatiana. O equilíbrio entre os alimentos também é importante para que a criança mantenha a concentração e a energia necessária para as atividades escolares. "Se a criança comer muito açúcar, ela pode ficar sonolenta, por exemplo."

Uma dica para gastar pouco é dar preferência para as frutas da estação, aproveitar promoções de suco integral e fazer receitas de bolos e cookies que possam ser congelados. "Com organização, o lanche escolar pode custar menos de R$ 5 por dia", disse Vera.

Para Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração (HCor), o lanche não precisa ser restritivo e é possível incluir bolos, e até mesmo chocolate, desde que em pequena quantidades e frequência. "Não adianta proibir, porque aí a criança pode recorrer ao lanchinho do colega. Se houver flexibilidade, a criança vai entender que pode comer esses alimentos, mas em pouca quantidade".

Cantina. Para as nutricionistas, a pior opção para as crianças é quando os pais recorrem à cantina da escola, onde, normalmente, há uma grande variedade de opções de frituras e doces e poucas frutas. "A gente sabe que as famílias têm uma rotina muito corrida e que às vezes é mais fácil dar dinheiro para a criança lanchar na cantina. Mas as opções nesses locais geralmente não são boas e podem prejudicar a criança, mesmo que ela tenha uma boa alimentação em casa", disse Vera.

Rosana disse que as escolas também precisam ser parceiras das famílias e evitar que as cantinas tenham poucas opções saudáveis. "Não adianta os pais mandarem uma lancheira saudável, se a criança vê na cantina opções que podem ser mais atraentes, como as guloseimas."

Projeto. O instituto Movere está com inscrições abertar para o projeto do Núcleo de Atenção Contra Violência em Crianças e Adolescentes Obesos, que tem como objetivo oferecer suporte interdisciplinar para vítimas de bullying e previnir efeitos à saúde na vida adulta. Serão atendidas 100 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social de ambos os sexos, entre 6 a 17 anos, no período de um ano.

Além de oferecer orientações para prevenção de fatores de risco de doenças crônicas e promover mudanças nos hábitos alimentares, por meio da reeducação alimentar e de aulas de culinária, a iniciativa também oferece orientação e assistência jurídica para as crianças e famílias que já são vítimas de bullying. 

De acordo com Vera, ao final do projeto, a intenção é apresentar os resultados do acompanhamento das crianças para as secretarias estaduais de Saúde e Educação para debater políticas públicas que ajudem as crianças a lidar com o sobrepeso e obesidade em casa e na escola. As inscrições para o projeto estão abertas até que todas as vagas sejam preenchidas, elas podem ser feitas pelo telefone: 2741-2374, das 10h às 17h.

 

 

 

 

 

 

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