Inspetor da Nasa critica chefe da agência espacial por 'conflito de interesse'

Ex-astronauta, Charles Bolden vem cometendo uma série de gafes ao longo deste ano

Associated Press, AP

20 Setembro 2010 | 16h35

O chefe da Nasa se viu atolado em uma nova controvérsia nesta segunda-feira, 20, desta vez por manter um contato "impróprio" com uma empresa petrolífera, em meio a um projeto de combustíveis alternativos.

 

O inspetor-geral da Nasa escreve, em relatório, que uma conversa de dez minutos mantida em abril pelo administrador Charles Bolden e um alto funcionário da corporação Marathon Oil foi inconsistente com o compromisso ético assinado por ele ao assumir o cargo. Ele também aponta um possível conflito de interesse.

 

Bolden - um ex-comandante de ônibus espaciais e general reformado dos Marines - é ex-membro da diretoria da Marathon, e ainda possui ações da companhia, avaliadas em entre US$ 500.000 e US$ 1 milhão.

 

Em seu relatório de 11 páginas, o inspetor-geral Paul Martin conclui que o contato de Bolden com a Marathon não violou a lei federal ou o código de ética. Mas a ação perturbou funcionários da Nasa e representa a mais recente de uma série de gafes do administrador.

 

Em entrevista concedida há alguns meses à rede de TV Al-Jazira, Bolden disse que uma das principais missões da Nasa era estender a mão ao mundo muçulmano. A Nasa e a Casa Branca passaram boa parte do Mês de julho tentando explicar esse comentário.

 

Meses antes, o administrador havia assustado muitos funcionários da agência espacial ao apresentar, de modo abrupto, o novo plano de exploração espacial do presidente Barack Obama.

 

Envolvendo o cancelamento do Programa Constellation, o novo plano envolve demissões, e o modo de apresentação causou ansiedade nas fileiras da Nasa.

 

Quanto à gafe mais recente, Bolden reconheceu ter dado um passo em falso ao falar com a Marathon sobre o plano para produzir combustíveis alternativos a partir de algas. Desde então, ele evitou envolver-se diretamente no programa e fez um curso de atualização em ética.

 

O inspetor-geral considerou as duas atitudes "apropriadas e suficientes".

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