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Instituto Butantan identifica 17 novas espécies de aranha

Descoberta acontece dois anos depois do incêndio que destruiu parte do acervo; exemplares preservados ocorrem na Mata Atlântica

Bruno Deiro,

07 Agosto 2012 | 22h30

 Dois anos depois de perder cerca de 30% de seu acervo de aranhas em um incêndio, o Instituto Butantan volta a ganhar destaque internacional ao anunciar 17 novas espécies. A descoberta, que deu origem ao gênero Predatoroonops, é a maior contribuição do País para o The Goblin Spider, um dos mais ambiciosos projetos mundiais já realizados para a sistematização desses artrópodes.

As espécies da família Oonopidae foram identificadas após seis anos de análise de aranhas coletadas na Mata Atlântica. Segundos os pesquisadores, chamam a atenção pela estrutura das quelíceras – espécie de gancho frontal que serve para captura de alimentos e proteção. “Possuem várias articulações e são totalmente diferentes das de espécies de outros gêneros”, diz o biólogo Antonio Brescovit, um dos responsáveis pela descoberta.

Brescovit e Cristina Anne Rheims, a outra pesquisadora que catalogou as novas espécies, estavam entre os biólogos que correram para tentar salvar amostras em meio ao incêndio de 2010. Mesmo com as grandes perdas, eles dizem que o material foi salvo porque o fogo não atingiu a sala dos pesquisadores.

“Quando soubemos do incêndio, achamos que perderíamos as amostras. Vim para o Butantan na mesma hora, ainda de pijamas”, relembra Rheims. Dos 160 mil lotes (pequenos frascos com, em média, 5 exemplares), estima-se que mais de 40 mil foram perdidos.

Os pesquisadores ainda tentam desvendar a utilizadade das incomuns articulações presentes apenas nos machos das novas espécies. Uma das hipóteses é o uso na reprodução: as estruturas liberariam feromônio, um poderoso hormônio da atração sexual. Além disso, podem servir para prender a fêmea durante a cópula.

 

“Há também a possibilidade de serem usadas como arma durante a briga entre os machos, ainda que isso seja pouco comum em aranhas. Mas temos de coletar mais exemplares para fazer uma observação correta”, afirma Antonio Brescovit.

As novas espécies, que têm no máximo 1,9 milímetros, se juntam às 23 anteriormente identificadas pelos sete pesquisadores do País que participam do Inventário Planetário de Biodiversidade (PBI, na sigla em inglês) que vem sendo feito pelo The Goblin Spider desde 2006.

Com o objetivo de documentar todos os gêneros da família Oonopidae, o projeto reúne 46 aracnólogos de 12 países e ampliou a documentação de 300 para 1016 espécies nestes seis anos. A família Oonopidae foi escolhida por sua biodiversidade e é normalmente encontrada no solo ou em copas de árvores nas florestas tropicais.

Apresentadas no boletim do American Museum of Natural History, as espécies foram uma atração à parte por causa da nomenclatura. O nome do gênero (Predatoroonops) foi escolhido em função das articulações nas quelíceras, que lembram a criatura que aparece como vilã no filme “Predador”, de 1987.

Com isso, as espécies foram batizadas com referências aos personagens: Arnold Schwarzenegger, por exemplo, que interpreta o mocinho Dutch, foi homenageado com os nomes Predatoroonops schwarzeneggeri e Predatoroonops dutch.

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