Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Interdição em hospital referência na zona leste enche serviço municipal

Pacientes reclamam de atendimento em Itaquera no Professor Waldomiro de Paula, onde permanecem por até cinco horas

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - No início da tarde desta terça-feira, 5, a quantidade de pacientes aguardando atendimento no Hospital Municipal Professor Waldomiro de Paula era tanta que um visitante gritava em voz alta o nome de quem era chamado para acelerar o trabalho. O local foi um dos mais procurados por potenciais pacientes do Hospital Santa Marcelina, localizado a menos de cinco quilômetros de distância.

+++ Superlotado, hospital referência na zona leste tem de fechar alas

“Você pode vir aqui em qualquer horário que nunca está vazio. E o Santa Marcelina é 50 vezes mais cheio”, diz o desempregado Paulo Campos, de 27 anos.

+++ País tem 904 mil na fila por cirurgia eletiva no SUS; espera chega a 12 anos

Moradora de Itaquera, a 15 minutos a pé do Santa Marcelina, a comerciante Zina Pontes, de 50 anos, foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para atendimento no Waldomiro de Paula. Ao Estado, classificou o local como “um inferno”. “Se eu soubesse que seria assim, não teria deixado me trazerem para cá”, disse. “Se o atendimento fosse melhor, as pessoas não precisariam vir tanto”, opina.

+++ Com dor de estômago, paciente tem medo de desenvolver câncer

Segundo pacientes, entre atendimento inicial, exames e avaliação, dificilmente se sai do local em menos de quatro ou cinco horas, pois o movimento costuma ser sempre intenso. “Já fiquei sete horas sem ser atendido aqui”, diz o jardineiro Paulo dos Santos, de 38 anos. 

No Waldomiro de Paula, uma mulher que não quis se identificar relatou ter ficado uma semana internada em uma maca do Santa Marcelina há dois anos. “Os médicos e os enfermeiros tinham de tirar um paciente do caminho para conseguir chegar a outro. Não tinha como fazer o trabalho direito. Eles ficavam revoltados, não tinha como trabalhar”, relata.

 

Poder público

Em nota, a Autarquia Hospitalar Municipal disse que “as unidades da região leste estão preparadas para absorver o aumento de demanda”. É importante, segundo o órgão, “destacar que os atendimentos ocorrem de acordo com a classificação de risco e os casos mais graves têm sempre prioridade.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.