Prefeitura de Jundiaí
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Interior de São Paulo intensifica vacinação contra febre amarela

Imunizante deve ser aplicado na população de 15 cidades paulistas após morte de macacos; na capital, 12,8 mil já receberam dose

José Maria Tomazela e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 03h00

SÃO PAULO E SOROCABA - Ao menos 15 municípios estão recebendo ações de intensificação de vacinação contra o vírus da febre amarela no Estado de São Paulo. A meta da Secretaria de Estado da Saúde é imunizar mais de 860 mil pessoas em cidades da região de Jundiaí, como Atibaia, Vinhedo, Bragança Paulista e Itatiba. Segundo a pasta, a região está recebendo o trabalho, que teve início no começo do mês, após a confirmação de mortes de primatas infectados pelo vírus em Jundiaí.

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Campinas e Valinhos terão o “Dia D” de vacinação contra a doença no próximo sábado, mas as corridas aos postos se intensificou nos últimos dias. Na capital, onde um macaco foi encontrado morto no Horto Florestal na semana passada, mais de 12,8 mil moradores do entorno do parque, na zona norte, já foram vacinados.

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Coordenador de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde, o infectologista Marcos Boulos informou que a vacinação tem sido intensificada há um ano e meio e tem como base a confirmação da presença do vírus em macacos.

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“Nós estamos seguindo a rota dos macacos, onde estão aparecendo mortes, estamos vacinando. Fomos fazendo a vacinação para não deixar áreas de risco sem cobertura vacinal. Quando acabou o grande surto, percebemos que continuava tendo mortes de macacos, principalmente na região de Campinas.” 

O País teve o maior surto de febre amarela dos últimos 14 anos. Os primeiros casos apareceram em dezembro de 2016 e, em setembro deste ano, o Ministério da Saúde anunciou o fim do surto da doença, que matou 271 pessoas até 1.º de agosto deste ano.

“Percebemos que macacos começaram a chegar em Jundiaí, teve outra invasão em Mairiporã e, como estava chegando na Grande São Paulo, continuamos vacinando. Culminou com casos na Grande São Paulo e tivemos (imunização no distrito de) Anhanguera”, diz Boulos. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde da capital, entre os dias 11 de setembro e 22 de outubro, 35.569 doses da vacina já foram aplicadas no distrito.

O infectologista afirma que, desde a metade do ano passado, já foram aplicadas 5 milhões de doses no Estado. Ele afirmou que as equipes já estavam preparadas para a ocorrência de um caso na capital, tendo em vista a “caminhada” do vírus pelo Estado.

“Apareceu esse macaco, mas não era inesperado, porque estava se aproximando muito e estávamos aguardando, estávamos preparados. As pessoas não devem ficar preocupadas, mas atentas. Essa é uma doença silvestre. Só as pessoas que se expõem em regiões de mata podem ter.” 

O município de Campinas vai receber a segunda aplicação de doses neste ano. “Na região de Campinas, em abril, começamos ações por causa da circulação de macacos (com o vírus) e houve uma estratégia de vacinação. Agora, Campinas e Valinhos terão uma ação conjunta para dar tranquilidade para os dois municípios. Serão 500 mil pessoas vacinadas”, afirma Regiane Aparecida Cardoso de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde.

 

Filas

O medo da febre amarela levou quase mil pessoas a enfrentar uma longa fila para se vacinar contra a doença nesta terça-feira, 24, no posto avançado montado no Parque da Uva, no bairro Anhangabaú, em Jundiaí. O município registrou a morte de 48 macacos com a doença - há ainda 43 aguardando resultado - e passou a ser considerado área de risco para a febre. Cerca de 208 mil pessoas, 51% da população, já foram imunizadas na cidade. 

A imunização dá prioridade às populações residentes próximas de locais onde foram achados macacos com a doença. Apenas no bairro Corrupira foram encontrados 27 primatas doentes. O Parque do Corrupira, com matas e rios, foi fechado para o público. 

Em Itatiba, a vacinação foi intensificada depois que os exames confirmaram, no último dia 18, o vírus como causa da morte de um idoso de 76 anos, morador da zona rural. Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CEV), o paciente morava em área de risco, mas se recusou a tomar a vacina oferecida aos moradores da casa. Os moradores do bairro foram vacinados após terem sido encontrados macacos mortos na região, que fica na divisa com Jundiaí.

 

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