NASA/Divulgação
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Inundações de 2010 no Paquistão poderiam ter sido previstas

Dados mostram que população poderia ter sido notificada se houvesse cooperação com o governo do país

estadão.com.br,

01 Fevereiro 2011 | 14h40

SÃO PAULO - Poucos dias antes das intensas chuvas de monção que provocaram intensas inundações no Paquistão em julho do ano passado, modelos de computador em um centro europeu davam indicações claras de que as tempestades eram iminentes. Agora, um estudo que examina esses dados confirmou que, se a informação tivesse sido processada, o evento poderia ter sido previsto com precisão e com 8 a 10 dias de antecipação.

 

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O estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, também descobriu que não apenas as enchentes, mas as próprias chuvas poderiam ter sido previstas com os dados do Centro Europeu de Previsões do Tempo de Médio Alcance (ECMWF), se eles fossem processados em um modelo hidrológico levando o terreno local em consideração.

 

As chuvas de julho no Paquistão mataram cerca de 1,9 mil pessoas e afetou a vida de mais de 20 mil. As cheias afetaram um quinto do território do país e deixaram 4,6 milhões de paquistaneses desabrigados. As chuvas arrasaram as colheitas do país, elevando em 15% o preço dos cereais no Paquistão. Uma previsão dessas enchentes poderia ter minimizado as perdas materiais e de vidas.

 

Segundo os pesquisadores, a o centro meteorológico notou o sinal com cinco dias de antecedência. No entanto, a falta de um acordo de cooperação entre o centro e o país significou que esses avisos de chuvas não chegaram à população e que a agência meteorológica paquistanesa também não realizou notificações antecipadas.

 

Em Bangladesh, uma análise semelhante possibilitou a criação de uma técnica de previsão de enchentes e de um acordo de cooperação entre os institutos de pesquisa e o governo local. Quando uma enchente semelhante ocorreu há alguns anos, foi possível emitir alertas para a população, prevenindo mortes e perdas em agricultura.

 

De acordo com o estudo, as chuvas de julho no Paquistão, que tiveram uma intensidade 10 vezes maior que o normal, alertam para a importância da instalação de um sistema de previsão e de um acordo com o governo do País, assim como em Bangladesh.

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