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Isolar país não ajuda no combate ao Ebola, dizem ONU e OMS

O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 22h 31

Organizações criticam restrições a países afetados por dificultarem a chegada de ajuda; remédios em teste ainda causam dúvidas

James Giahyue/Reuters
Proibição de voos dificulta chegada de ajuda aos países afetados pelo Ebola, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta segunda-feira que a redução de voos e o cancelamento de rotas para países atingidos pelo surto do vírus Ebola dificultará o combate à doença, ao atrapalhar o envio de ajuda. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) criticou as companhias aéreas que suspendem rotas na África e disse que "a guerra contra o Ebola" não deve ser vencida em um prazo inferior a seis meses.

Na semana passada, a Costa do Marfim fechou suas fronteiras e impede voos entre sua capital e os países afetados. O mesmo foi adotado por Gabão, Senegal, Camarões e África do Sul. Por reiteradas vezes, a OMS insistiu que banir viagens não resolverá o problema. "A redução de voos até Freetown (capital de Serra Leoa) terá um grande impacto no combate à doença", informou oficialmente o coordenador da ONU no país, David Mclachlan-Karr. "Precisamos trazer reforços e material e, para isso, precisamos retomar linhas aéreas."

A Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (Usaid, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda o envio de 16 toneladas de equipamentos e remédios de emergência somente para a Libéria, a fim de controlar o centro do atual surto. Foram enviados 10 mil trajes de proteção individual, dois sistemas de tratamento de água e aparelhos suficientes para construção de centros de tratamento.

Guerra. "O esforço para derrotar o Ebola não é uma batalha, mas uma guerra que exige que todos trabalhem juntos, duro e de forma eficiente", afirmou em Serra Leoa o coordenador especial das Nações Unidas para o combate ao surto, David Nabarro, que vem visitando os países onde se registraram mortes (incluindo Nigéria, Guiné e Libéria). Ainda nesta segunda, confirmou-se que uma nova cepa de Ebola está causando um surto na República Democrática do Congo.

"Esperamos vencer essa guerra em seis meses, mas teremos de trabalhar para isso", ressaltou Nabarro. Ele criticou as companhias que vêm suspendendo rotas aéreas no continente, destacando que isso atrapalha o auxílio aos países. "Quando você isola um local, as coisas ficam difíceis até para as Nações Unidas." O atual surto já deixou 2.600 infectados e 1.427 mortos em Serra Leoa, Guiné, Libéria e Nigéria. Mas novos números a serem divulgados nesta semana devem ampliar o quadro.