Baz Ratner/Reuters
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Israelenses desenvolvem maconha 'politicamente correta'

Planta tem pouca concentração de entorpecentes e é rica em substâncias analgésicas

Reuters

03 Julho 2012 | 09h51

Nas colinas da Galileia, norte de Israel, um aparato de forte segurança composto por guardas, câmeras de circuito interno e muros protege mudas do que seriam plantas de maconha "politicamente correta", sem propriedades entorpecentes, desenvolvidas apenas para fins medicinais.

 

"Às vezes não é o efeito da droga que os usuários querem. Às vezes esse é até um efeito colateral indesejado. Muita gente não gosta disso", diz Zack Klein, chefe de desenvolvimento da Tikun Olam, empresa responsável pela nova "droga".

 

A maconha tem cerca de 60 compostos chamados canabinoides. O mais conhecido deles é o THC, famoso mais por sua capacidade entorpecente que por suas propriedades medicinais. Mas há também o canabidiol, ou CBD, substância que alguns pesquisadores acreditam ter benefícios anti-inflamatórios. Diferente do THC, esse composto não causa a chamada "brisa" e pode aliviar dores sem entorpecer.

 

"Plantas com CBD podem ser encontradas em várias formas em todo o mundo", disse Klein, explicando que a planta desenvolvida por sua companhia é rica na substância e praticamente livre de THC. A Avidekel, como foi batizada a nova maconha, tem 15,8% de canabidiole menos de 1% de compostos entorpecentes.

 

Raphael Mechoulam, professor de química medicinal da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirma que esta é a primeira planta do tipo a ser desenvolvida no país. "É possível que a proporção de componentes da Avidekel seja a melhor para fins medicinais em todo o mundo, mas a indústria não é muito organizada, então não podemos saber como cada empresa que trabalha neste ramo está indo", analisa.

 

Uma paciente de 35 anos que usa a planta em seu tratamento aprova a Avidekel. "É uma grande vantagem. Posso fumar durante o dia, vivo com muito menos dor e ainda assim fico concentrada, trabalho e dirijo normalmente. É ótimo", avalia. "A diferença é gritante. Antes, eu fumava só no fim do dia e sofria coma dor. Minha vida é muito melhor agora", diz ela. 

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