Jogar vodca nos olhos é sinal de baixa autoestima, dizem especialistas

Prática conhecida como 'eye balling', que virou moda na internet e chegou ao Brasil, pode até cegar

Agência Estado

10 Setembro 2010 | 17h03

SÃO PAULO - Jogar vodca sobre os olhos para potencializar os efeitos do álcool é uma moda que já chegou ao Brasil, conforme noticiou o Jornal da Tarde na última quinta-feira. Para os especialistas que estudam o comportamento juvenil, a prática conhecida como "eye balling" - cujo objetivo é ficar bêbado mais rápido - é um sinal de baixa autoestima.

A brincadeira, que pode levar à cegueira segundo os oftalmologistas, popularizou-se por meio de vídeos publicados na internet. "Não há uma teoria única para explicar esse tipo de comportamento, mas a autoestima tem de estar lá embaixo para o jovem se prejudicar a esse ponto", afirma o psicoterapeuta Marco Antonio Tommaso, da Universidade de São Paulo (USP).

"Geralmente, o jovem vê uma moda como essa e se pergunta se isso é bom para ele. Se não for, ele não usa ou não pratica. Mas precisa estar seguro para isso", completa.

A coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti, diz que já tinha ouvido falar sobre essa prática com tequila, outra bebida destilada com alto teor alcoólico. "Os adolescentes não têm a mesma lógica dos adultos. Fazem algumas coisas para se enturmar. Para eles, turmas são fundamentais, por isso fazem rituais para se tornar parte de um grupo. Os pais devem ficar atentos aos primeiros sinais de que o adolescente está bebendo e não ter medo de negociar", explica.

Para a psicopedagoga Maria Irene Maluf, a prática pode representar para o adolescente também um ritual "para sentir-se vivo". Ela também aponta falhas na autoestima como motivo para os jovens adotarem modas tão perigosas na balada como o "eye balling". "Se ele não tem perspectiva nem autoestima, cria um ritual para se sentir vivo. É como ele quisesse sentir-se, ver que não está morto", avalia. "São pessoas com baixa autoestima e frustradas. A família tem de trabalhar para que o jovem valorize as coisas que ele tem", aconselha a especialista.

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