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Jovem com microcefalia defende direito à vida

- Atualizado: 01 Fevereiro 2016 | 21h 47

A jornalista Ana Carolina Dias Cáceres conta em livro histórias dos que venceram as limitações da má-formação

Reação. Ana Carolina se manifestou contra o aborto de bebês com microcefalia: ‘Sandice’

Reação. Ana Carolina se manifestou contra o aborto de bebês com microcefalia: ‘Sandice’

SOROCABA - Quando ainda não se falava em microcefalia e em sua relação com o zika vírus, uma jovem de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, já lutava contra as limitações impostas pela doença. Em dezembro, aos 24 anos, Ana Carolina Dias Cáceres formou-se jornalista e assumiu voluntariamente a função de porta-voz das pessoas que têm a síndrome.

“Crianças com microcefalia surpreendem e muitas vezes de um ponto de vista positivo. Acho que eu sou a prova disso. Por isso defendo, sim, que um portador de microcefalia tem o direito de vir ao mundo e merece ser cuidado como se deve”, afirma em seu blog.

Na semana passada, ela ganhou seguidores ao criticar, nas redes sociais, ação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a liberação do aborto em caso de microcefalia. “Levei para o lado pessoal porque não sou obrigada a ser conivente com tamanha sandice. Só que eu tenho quase 25 anos e conheço a microcefalia desde que me entendo por gente, por ter nascido com ela e, como não tem cura, ainda tê-la. Sei que o caminho não é bem por aí (aborto).”

Ela conta que, no dia em que nasceu, o médico disse aos pais que seu crânio era menor que a média e ela não teria chance de sobreviver. “Bem, estou aqui, então me senti ofendida.” A infância da jovem, que também é cantora e violinista, não foi como a de outras crianças. Aos nove dias de vida, ela teve de enfrentar a primeira de cinco cirurgias para corrigir um afundamento na face que afetava a respiração.

A síndrome causou convulsões e até uma parada cardíaca, tudo controlado com remédios. Cercada de cuidados, teve de privar-se de muita coisa comum às crianças da idade. Também sofreu preconceitos.

Livro. Ana Carolina transformou sua história e a de outras crianças com a síndrome em livro. Para os familiares, a jovem é uma heroína.

Hoje, a jovem agradece à mãe por ter deixado que nascesse, assim como ocorreu com as outras personagens do livro. “Acho que quem opta pelo aborto não dá nem a chance de a criança sobreviver.” Em seu blog, Ana Carolina dá conselho às mães que estão vivendo o drama de ter filhos com a síndrome. “Sei que a microcefalia pode trazer consequências mais graves do que as que eu tive e que nem todo mundo vai ter a vida que eu tenho. Então, o que recomendo é calma, microcefalia é um nome feio, mas não é esse bicho de sete cabeças.”

Para a jornalista, dizer a uma mãe que aborte porque seu filho nascerá com microcefalia é assinar o atestado de incompetência do Estado em dar condições para que as crianças recebam tratamento adequado. “Por que não aproveitar para investir e melhorar o atendimento na saúde?”, cobra.

Ela reconhece que há pouca informação sobre a síndrome e que o número de casos aumentou, mas a microcefalia sempre existiu. “Só que vivemos no Brasil e temos um governo que prefere gastar milhões em obras desnecessárias.”

Sobre sua síndrome, ela acha que não adianta procurar culpados. “Prefiro usar meu tempo compartilhando tudo o que já estudei e vivi em favor das mães e principalmente dessas crianças que estão por vir e torcer para que elas tenham a estrutura necessária para se desenvolver da melhor forma possível.”

7 perguntas e respostas sobre a microcefalia
REUTERS / Ueslei Marcelino
O que é microcefalia?

É uma má-formação congênita em que a criança nasce com o perímetro cefálico menor do que o convencional, que é de 32 centímetros. Isso significa que o cérebro não se desenvolveu da maneira esperada.  

 

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