Jovem se submeterá a operação pioneira para acabar com epilepsia

Equipe de especialistas vai retirar parte do cérebro que provoca os ataques epiléticos

Efe

04 Maio 2010 | 11h03

NOVA YORK - Especialistas do hospital Beth Israel de Nova York praticaram nesta segunda-feira, 3, uma complexa e pioneira operação cirúrgica para acabar com os ataques de epilepsia que a jovem de origem mexicana Jennifer Flores, de 17 anos, sofre há cinco anos.

 

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A primeira fase da operação, dirigida pelo neurocirurgião Saadi Ghattan, durou cinco horas. Os médicos colocaram uma série de eletrodos na parte afetada do cérebro para poder detectar com exatidão qual o pedaço devem extrair na próxima fase.

 

Após esta primeira fase, a jovem deve passar uma semana na Unidade de Terapia Intensiva do hospital, onde serão feitas provas para comprovar que nenhuma de suas funções ficou danificada. Passada essa semana, Jennifer sofrerá uma nova intervenção para extrair de maneira definitiva a parte do cérebro que provoca os ataques e na margem de uma semana poderá voltar para casa e após diversos controles reintegrar-se a sua vida normal.

 

Pouco antes de ser operada, Jennifer disse à Agência Efe que estava convencida que "tudo iria melhorar" a partir de agora, enquanto sua mãe, Oveida Raimundo, declarou que sua filha estava "em boas mãos".

 

Devido aos ataques epilépticos, que chegaram a 14 ao mês, Jennifer não pôde levar uma vida de adolescente comum e teve inclusive que deixar o colégio. O neurocirurgião Ghattan explicou que com o uso da cirurgia "hoje se podem parar os ataques".

 

O caso de Jennifer Flores é bastante peculiar, pois em vez de cair no chão e sofrer convulsões, a jovem se agitava, gritava e batia em coisas como "se estivesse possuída", disse Ghattan.

 

"Há 200 anos teriam queimado Jennifer como uma bruxa e há 100 a teriam fechado em um manicômio, agora tem a possibilidade de uma vida nova graças à cirurgia", assegurou.

 

Por sua vez, o neurologista e diretor do centro especializado em epilepsia pediátrica, Steven Wolf, afirmou à Efe que "a cirurgia assusta, mas na realidade quanto mais jovem melhor, porque os ataques com o tempo podem acabar danificando o cérebro". Para poder se submeter a esta operação Jennifer passou dois meses sendo examinada por neuropsicólogos.

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