Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Saúde

Saúde » Juiz proíbe fechamento de centro cirúrgico no hospital da Unicamp

Saúde

Saúde

Unicamp

Juiz proíbe fechamento de centro cirúrgico no hospital da Unicamp

Justiça também autorizou uso da força policial caso grevistas tentem impedir servidores de chegarem a seus departamentos

0

Letícia Guimarães dos Santos e Victor Vieira ,
O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 18h02

Atualizada às 21h35

CAMPINAS-  A Justiça proibiu os funcionários do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em greve há 53 dias, de bloquear o acesso aos centros cirúrgicos e outros departamentos da unidade de saúde. O descumprimento da medida resultará em multa de R$ 500 mil ao sindicato da categoria, que nega obstrução das áreas. A mobilização é contra o congelamento de salários de professores e funcionários das universidades estaduais paulistas.

Em decisão liminar, o juiz Wagner Roby Gidaro, da 2.ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, afirmou que era “verdadeiro absurdo admitir tal procedimento” no hospital e não reconheceu o direito de greve defendido pelo sindicato. O magistrado também autorizou o uso de força policial, em caso de novo bloqueio das áreas do HC.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), não houve impedimento de entrada dos funcionários nos centros cirúrgicos nem prejuízo aos pacientes do hospital desde o início da paralisação. “Tudo foi feito em comum acordo, depois de conversa com a chefia e os funcionários”, defendeu Diego Machado, um dos diretores do STU. 

Duas das 16 salas do centro cirúrgico geral ficaram paradas diariamente desde o início da greve. Das sete salas do centro cirúrgico ambulatorial, uma ficou parada a cada dia. Os ambulatórios também foram outro dos setores mais afetados com o movimento da categoria. 

Como a paralisação das salas era avisada com antecedência, segundo Machado, era possível que a diretoria e os pacientes se planejassem. “Mas não houve impedimento de que funcionários entrassem. O argumento da reitoria é mentiroso”, reclama. O HC da Unicamp faz quase 1,2 mil cirurgias por mês.

A assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas informou que 20 cirurgias foram suspensas por causa da greve desde 23 de maio. Outros procedimentos foram afetados apenas com atrasos. Ontem o hospital funcionou normalmente, segundo a assessoria, mas o STU disse que houve paralisação de cerca de 20% dos servidores dos centros cirúrgicos e dos ambulatórios. O hospital e o sindicato não sabem precisar quantos dos cerca de 3 mil funcionários do HC cruzaram os braços. 

Disputa. No começo de junho, o mesmo juiz já havia deferido um pedido da universidade de reintegração de posse para liberar o acesso ao restaurante universitário da Unicamp. Também foi autorizado o uso da força policial, com rompimento dos cadeados que trancavam as áreas do refeitório, se os grevistas descumprissem a decisão.

Para o STU, as intervenções judiciais restringem os direitos de greve e de manifestação. “Continuamos a mobilização e mantemos o repúdio ao reajuste zero”, disse Diego Machado. As universidades justificaram o congelamento de salários com a grave crise financeira das instituições e prometeram reavaliar a possibilidade de aumento em setembro, a depender do comportamento da arrecadação estadual.

Professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também estão em greve há mais de seis semanas. O conselho de reitores e o fórum de entidades sindicais voltam a se reunir nesta quarta, mas a negociação salarial não deve entrar na pauta.

Mais conteúdo sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.