Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Lula defende sistema público de saúde de qualidade para todas as classes

Presidente diz que o Estado abre mão de impostos para que os ricos paguem planos privados

Agência Brasil

31 Maio 2010 | 18h51

RIO DE JANEIRO - Ao participar da inauguração de unidade de atendimento em saúde, o presidente Luiz Inácio Lula defendeu nesta segunda-feira, 31, na Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense, um sistema público de saúde de qualidade para todas as classes. Lula afirmou que os ricos são, de certa forma, beneficiados no atendimento, porque o Estado abre mão de impostos para que essa parcela da população pague planos privados.

 

"Habitualmente, fala-se que tudo o que é público não presta e tudo o que é privado é extraordinário. Eu já vi gente fina na televisão que tem plano de saúde de boa qualidade e diz que me paga [por isso]. Queria dizer a vocês que não paga, porque é descontado do imposto de renda. Quem paga é povo brasileiro, que dá condições para eles terem assistência médica melhor do que os pobres", afirmou o presidente.

 

Com a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Cidade de Deus (comunidade que ficou famosa depois de ser retratada em filme sobre a realidade das favelas cariocas), Lula voltou a dizer que quer transformar "favelas em bairros", com a oferta de serviços públicos. Durante discurso, ele lembrou de sua infância e compartilhou dificuldades de acesso à saúde, que a UPA pretende combater.

 

"Eu morei em lugares que a água invadia até um metro e meio. Eu sei o que é sanguessuga grudada nas canelas da gente, com um metro de barro para a gente tirar. Eu sei o que é jogar sal e cachaça nas desgraçadas", declarou.

 

"A UPA que estamos fazendo é para dizer que o povo pobre tem que ser tratado com respeito. Vocês vão ver as camas aqui, as máquinas de tirar pressão, máquina de raio-x e terão um laboratório. Tudo de primeira qualidade", reforçou o presidente.

 

Lula também disse que a construção da unidade só foi possível com a parceria entre as esferas de governo no Rio, nos últimos anos, e disparou críticas ao ex-prefeito da cidade do Rio, César Maia (DEM).

 

"Em 2007, distribuímos não sei quantas ambulâncias e o prefeito, que não gostava de mim, as deixou guardadas, não utilizou nenhuma delas para atender o povo pobre", lembra o presidente.

 

A UPA de Cidade de Deus custou R$ 2,6 milhões para o Ministério da Saúde, que financiou a construção do prédio e os equipamentos. Sob administração da prefeitura e com capacidade para atender 450 pacientes por dia, a unidade receberá por mês R$ 250 mil do ministério para funcionar.

 

Com 1.459 metros quadrados, o prédio conta com atendimento médico e odontológico para adultos e crianças, tem 19 leitos e dez consultórios, sendo um deles para atendimento social, além de laboratórios, sala de raio-x, farmácia, salas de imobilização e sutura, entre outras.

 

As unidades de pronto atendimento oferecem serviço 24 horas de urgência e emergência. São a principal estratégia do governo e da prefeitura do Rio para reduzir as filas nos hospitais. Cerca de 0,5% dos pacientes atendidos no local precisam ser encaminhados para a rede hospitalar.

 

A UPA de Cidade de Deus é a quinta unidade administrada pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio. As demais unidades estão instaladas na Vila Kennedy, Rocinha, Complexo do Alemão e Manguinhos. Até o final de 2012, a ideia da prefeitura é abrir mais 15 UPAs.

 

Em todo o estado do Rio, já são 44 unidades de pronto atendimento, em 22 municípios.

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