Mãe acusa Hospital Santa Joana de trocar bebês

Pais tiveram uma menina, mas maternidade levou menino para o quarto; erro foi desfeito e hospital instalou comitê para apurar fatos

Rita Lisauskas, ESPECIAL PARA O ESTADO

30 Abril 2015 | 23h31

Alice nasceu nesta quinta-feira, 29, no Hospital Santa Joana, em São Paulo. Segundo a mãe, Ana Paula Silveira, de 23 anos, a filha demorou para ser levada ao quarto, onde a família a esperava. A menina nasceu de cesárea às 13h30 e até as 21h30 ainda não havia chegado. Pai da menina, o analista de infraestrutura Victor Hugo Paulino, de 25 anos, conta ter escutado outros pais comentando sobre uma suposta confusão e troca de pulseirinhas de identificação dos bebês nascidos naquele dia.

“Ele estava naquele vidro do berçário quando ouviu a parente de uma mãe comentando que as pulseirinhas estavam com o número dos quartos errado”, conta Ana Paula.

Quando o bebê chegou, oito horas após o parto, Ana Paula e o marido estranharam a criança. “Minha filha nasceu muito cabeluda e o bebê que me deram tinha ‘entradas’ e pouco cabelo.” Paulino pediu para que a enfermeira tirasse as roupas e a fralda do bebê e o casal descobriu que tinha recebido um menino e não Alice. “Comecei a gritar que queria a minha filha”, diz. “Ficamos desesperados, foi a pior sensação do mundo.”

A gritaria foi tanta que se espalhou pelo corredor. A parente de outra mãe, Juvenice Rodrigues de Sousa, internada no quarto ao lado, apareceu nervosa, dizendo que o bebê da família também tinha sido trocado. Juvenice tinha dado à luz um menino e recebido da enfermeira uma menina, que Ana Paula e Paulino reconheceram como sendo Alice.

“Minha filha estava vestida de azul e com a pulseirinha com o nome da outra mãe.” Os casais que ainda estão internados destrocaram os bebês na hora e pediram ao hospital um exame de DNA. “Estou indignada por um hospital do porte do Santa Joana cometer um erro gravíssimo como esse”, diz Ana Paula. 

Ela e o marido farão um boletim de ocorrência assim que receberem alta e vão processar o hospital. “E se fossem duas meninas que tivessem sido trocadas? Quantos anos passariam até a gente perceber que uma troca tinha sido feita?”

Em nota, o Hospital e Maternidade Santa Joana informa que instalou comitê interno para apurar os fatos. O hospital diz que tem “tecnologia avançada de controle neonatal e materno” e, pelos procedimentos-padrão e recursos tecnológicos da maternidade, “não seria possível que este evento se confirmasse”. “Pelas normas de segurança em vigor na instituição é impossível que uma criança saia do hospital sem a presença de sua mãe biológica.”

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