Maioria dos fumantes que buscam ajuda médica já tentou largar o vício

Pesquisa com 373 pacientes em SP revela que 81% haviam tentado deixar cigarro ao menos uma vez

estadão.com.br

27 Setembro 2010 | 17h56

SÃO PAULO - Um levantamento do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), da Secretaria de Estado da Saúde, baseado em questionários aplicados em pacientes revela que, dos 373 fumantes em tratamento na unidade, 81% afirmam já ter tentado parar de fumar pelo menos uma vez na vida.

Entre estes, a grande maioria (87%) não procurou nenhuma orientação médica, e acabou retornando ao vício. Ainda segundo o levantamento, 27% desses pacientes dizem ter usado algum tipo de medicação para repor nicotina, como pastilhas, chicletes e adesivos. Outros 31% usaram apenas a força de vontade, e 29% tiveram ajuda de folhetos educativos ou de alimentos para aliviar os sintomas.

Segundo Stella Martins, diretora do Programa de Atenção ao Tabagista do Cratod, o fumante começa a se viciar em média aos 15 anos de idade, "às vezes até antes", quando sua personalidade não está completamente formada e, por isso, desenvolve laços emocionais com o cigarro. Essa dependência psicológica é o maior desafio do tratamento, que, quando não superada, faz o tabagista voltar a fumar.

"O cigarro tem relação direta com o surgimento de doenças pulmonares e vários tipos de câncer, como os de boca, pulmão e esôfago. Parar de fumar é um passo importante para o combate dessas doenças e da dependência física e psicológica da nicotina", afirma Stella.

Desintoxicação

Para avaliar os efeitos do tratamento, o Cratod faz semanalmente uma medição dos níveis de monóxido de carbono nos pacientes. Em média, na primeira sessão a taxa é de 22,43 ppm (partícula por milhão), equivalente a um fumante pesado. Na quarta avaliação, feita após um mês de tratamento, o índice cai para 6 ppm, níveis iguais ao de um não-fumante.

"O monóxido de carbono é um gás tóxico encontrado na fumaça do cigarro. No organismo, ele impede a entrada de oxigênio nas células, favorecendo o infarto e o derrame cerebral. A redução desses níveis representa uma grande melhora na qualidade de vida dessas pessoas", diz Stella.

O Cratod fica na Rua Prates, 165, Bom Retiro, região central da capital paulista.

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