Mapas da gravidade da Lua revelam crosta profundamente fraturada

Os asteroides e cometas que colidiram com a Lua não apenas tornaram sua superfície esburacada, mas também provocaram profundas fraturas na crosta do satélite terrestre, disseram pesquisadores da Nasa na quarta-feira, em uma descoberta que pode ajudar a decifrar um enigma sobre Marte.

IRENE KLOTZ, Reuters

06 Dezembro 2012 | 14h36

Em Marte, fraturas similares podem ter proporcionado um caminho para que a água da superfície penetrasse profundamente no solo, onde ela pode estar até hoje, afirmaram eles.

"Marte pode ter tido um antigo oceano e todos nós nos perguntamos para onde ele foi. Bem, esse oceano pode muito bem estar no subterrâneo", afirmou a cientista Maria Zuber, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a jornalistas na Conferência Americana de Geofísica em San Francisco, nos Estados Unidos.

A descoberta de que a crosta da Lua tem fraturas profundas foi feita a partir de duas pequenas sondas da missão Grail, do Gravity Recovery and Interior Laboratory, da Nasa. As duas espaçonaves idênticas têm orbitado uma atrás da outra ao redor da Lua há cerca de um ano.

Os cientistas monitoram a distância entre as duas, que muda ligeiramente quando sobrevoam as regiões mais densas da Lua. A força gravitacional da massa lunar adicional provoca a aceleração da sonda que está na frente, primeiro, e depois da outra, alterando a distância entre as duas.

Os dados, reunidos nos primeiros mapas detalhados sobre a gravidade da Lua, revelaram que os asteroides e cometas provocaram crateras na superfície e fraturas na crosta, possivelmente até o manto.

"Se você observa a superfície da Lua e como ela é cheia de crateras, todos os planetas terrestres parecem ter essa forma, incluindo a Terra", disse Zuber, a principal cientista do Grail. As evidências do fenômeno na Terra foram apagadas pelos movimentos das placas tectônicas, pela erosão e outros eventos naturais.

"Se queremos estudar esses períodos iniciais, precisamos ir a outro lugar para fazê-lo e a Lua é o exemplo mais próximo e mais acessível", afirmou Zuber.

Com a relação a Marte, a descoberta de que a crosta de um planeta pode ter fraturas tão profundas tem implicações na busca de vida extraterrestre.

As fraturas proporcionam um caminho para a água se mover de dentro do planeta para a superfície e vice-versa. Cientistas acreditam que Marte já foi muito mais quente e úmido do que o deserto frio e seco que é hoje.

"Se algum dia houve micróbios na superfície que tiveram de partir para um ambiente melhor, eles podem ter ido para o fundo da crosta de Marte", afirmou Zuber.

A pesquisa foi publicada na revista Science desta semana.

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