RAFAEL PASSOS/ESTADAO
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País vive nova onda de bebês com microcefalia ligada à zika

Um menino foi diagnosticado com a má-formação em Campina Grande; outros três casos de microcefalia estão sob suspeita

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2016 | 19h18
Atualizado 17 Outubro 2016 | 23h37

BRASÍLIA - O segundo ciclo de bebês com microcefalia ligada à zika começa a surgir. Foi notificado semana passada, em Campina Grande, na Paraíba, o nascimento de um bebê com síndrome provocada pela transmissão do vírus durante a gestação. 

A médica Adriana Melo, que diagnosticou o caso, afirmou que mãe e bebê já tiveram alta. O bebê, um menino, teve material coletado. Exames mostraram a presença do vírus, o que indica a infecção durante a gestação. Há ainda outros três casos de microcefalia sob suspeita. O material coletado dos bebês foi levado para análise e famílias e autoridades sanitárias aguardam o resultado. 

“É uma doença sazonal. Tivemos um período mais calmo. Mas a tendência é de que a partir de agora haja um aumento de casos”, disse Adriana. O nascimento ocorre meses depois de a cidade ter enfrentado uma onda de infecções por zika.

Dificuldades. A secretária de Saúde de Campina Grande, Luzia Pinto, afirma que o crescimento de casos agrava a preocupação com a assistência dada a famílias e bebês. Na cidade, conta, já são atendidas 117 crianças. Desse total, 15 são de Campina Grande.

“A cidade se transformou em um polo. Famílias de bebês com a síndrome, atraídas por relatos de outras mães, acabam vindo para cá”, afirmou.

Luzia diz que, apesar do aumento da demanda, a cidade não recebeu recursos extras. O trabalho é todo feito por uma equipe formada por uma enfermeira, uma fisioterapeuta, uma psicóloga e um neuropediatra. “Temos também um serviço voluntário.”

Campina Grande está situada em uma região onde o número de casos de microcefalia ligada ao vírus da zika é bem superior ao que é registrado no restante do País. “Não sabemos ainda a causa da diferença. Somente pesquisas podem identificar se há outros fatores envolvidos no maior risco para o desenvolvimento da síndrome”, afirmou a médica, responsável por identificar pela primeira vez a presença do zika no líquido amniótico de dois fetos, em novembro de 2015.

Números. Embora a epidemia de zika tenha acontecido em várias partes do Nordeste no ano passado, o nascimento de bebês com síndrome relacionada à infecção foi maior nos Estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.

Em todo o País, foram confirmados até agora 2.033 casos de microcefalia e outras alterações ligadas ao sistema nervoso central relacionadas com a infecção congênita pelo zika. Ainda permanecem em investigação 3.055 casos suspeitos.

A primeira onda de aumento de casos de microcefalia começou a ser identificada no Brasil em agosto do ano passado, em Pernambuco. Em outubro, o fato foi comunicado ao Ministério da Saúde que, poucos dias depois, declarou emergência em saúde pública nacional.

Durante 2016, a zika se alastrou pelo País. A doença, provocada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado e por via sexual, foi registrada em vários Estados do País, provocando um surto, no início do ano, no Rio. O aumento de casos de microcefalia associada à doença, no entanto, por enquanto não se repetiu em outros locais. No Rio, o registro de casos de síndrome congênita é pequeno, diante dos casos de zika. Uma equipe do Ministério da Saúde estuda a possibilidade de que a microcefalia esteja ligada a outros fatores. 

Sem evidência. Em nota, o ministério afirmou não haver evidência científica de novo ciclo de casos de microcefalia. De acordo com a pasta, o número de casos registrados nos últimos dois meses é menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.

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