Anthony Bolante/Reuters
Anthony Bolante/Reuters

Médicos dos EUA se preocupam mais com obesidade do que maconha ou aborto

Opinião dos profissionais não se reflete na abordagem das organizações da classe

Christopher Ingraham, The Washington Post

07 Outubro 2016 | 09h28

Médicos dos Estados Unidos não estão terrivelmente preocupados sobre uso de maconha, de acordo com um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Os pesquisadores apresentaram a 233 médicos de cuidados primários nove comportamentos hipotéticos de pacientes, como consumo de álcool, de tabaco e obesidade, e os perguntaram qual o tamanho do problema de cada situação em uma escala de 10 pontos. Inicialmente, o objetivo do estudo era perceber as diferenças entre os profissionais de acordo com as afiliações políticas. 

Entre os comportamentos, os médicos classificaram o consumo de maconha como o menos preocupante, empatado com aborto. Por outro lado, os entrevistados definiram o não uso de capacete em motocicletas e a relação sexual com colegas de trabalho muitas vezes ao ano como as mais problemáticas. Consumo de tabaco, de álcool e obesidade também foram vistos como mais preocupantes do que a maconha. 

As conclusões adicionam peso empírico ao texto da revista Scientific American escrito pelo médico Nathaniel Morris, no qual ele discute que "para a maioria dos prestadores de cuidados de saúde, maconha não é uma preocupação primária. (...) Na medicina, a marijuana é geralmente vista junto com tabaco ou cafeína, algo que aconselhamos aos pacientes a pararem ou limitarem, mas nada urgente para tratar ou que causam riscos fatais imediatos". 

Apesar da pouca preocupação dos profissionais, essa visão não se traduz na posição tomada pelas principais organizações médicas acerca da mudança da política com a erva. Umas das que surgem a favor da legalização da maconha é a California Medical Association (Associação Médica da Califórnia). Neste ano, um grupo de médicos auto-intitulado Doctors for Cannabis Regulation (Doutores para Regulação da Cannabis) se formou com o intuito de apoiar a liberação. 

Quanto ao principal foco, a pesquisa mostrou que a preocupação sobre a maconha entre os médicos republicanos é bem maior do que a dos democratas, assim como o aborto. O resultado foi inverso quanto à presença de armas de fogo em casa. 

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