Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Médicos fazem passeata em SP contra os planos de saúde

Profissionais pedem regularização dos contratos e menos interferências na conduta médica; nesta 5ª, os atendimentos já agendados não serão realizados

O Estado de S.Paulo,

05 Setembro 2012 | 12h00

Os médicos do Estado de São Paulo realizam uma passeata nesta quinta, 5, em frente à Câmara Municipal de Vereadores, em protesto contra os planos de saúde. Vestindo jalecos verdes e usando adesivos amarelos em favor do movimento, os profissionais da saúde e os manifestantes que aderiram à causa pedem regularização dos contratos, com valores mais altos repassados pelas operadoras por procedimento, consulta e exame, e menos interferências na conduta médica.

 

Nesta quinta deve ocorrer a interrupção dos atendimentos eletivos dos planos de saúde. Com isso, as consultas, os exames e os procedimentos, cirúrgicos ou não, agendados pelo usuário para este dia não serão realizados. Segundo a Associação Paulista de Medicina (APM), os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos. 

 

Em entrevista à Rádio Estadão ESPN, o presidente da APM, Florisval Meinão, afirmou que o objetivo da medida é preservar o interesse e a necessidade dos médicos e também dos usuários. "Recomendamos aos profissionais que façam o atendimento mesmo no caso dos procedimentos que não se encaixam como urgência, mas que uma demora poderia agravar o estado de saúde do paciente", diz.

 

Existem 50 mil médicos que atendem no Estado de SP, mas não há previsão de quantos deles irão aderir à paralisação. A recomendação é que os usuários agendem novamente suas consultas e procedimentos.

 

A classe médica reivindica a regularização dos contratos com as empresas de saúde, com valores justos para procedimentos e consultas. Esta última, por exemplo, varia de R$ 25 a R$ 60 no Estado de São Paulo, enquanto o valor solicitado é de R$ 80,00. Os profissionais também pedem fim da intervenção das operadoras na relação médico-paciente e reclamam da pressão por parte destas para reduzirem o pedido por internações e exames. 

 

Segundo a APM, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem uma resolução normativa, nº 49, que indica que os contratos com as operadoras devem ser claros sobre os reajustes. No entanto, poucas empresas regularizaram os contratos já existentes. "Os reajustes dos últimos 10 anos aos médicos estão muito abaixo da inflação no período", afirma o presidente da entidade, Florisval Meinão.

 

*Colaborou Davi Lira

 

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