GABRIELA BILO/ ESTADAO
GABRIELA BILO/ ESTADAO

Médicos residentes entram em greve na Santa Casa

Profissionais do departamento de cirurgia paralisaram as atividades na segunda-feira por causa da crise na instituição

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2016 | 17h23
Atualizado 23 Agosto 2016 | 21h31

SÃO PAULO - Com cirurgias não urgentes suspensas há mais de um mês, a Santa Casa de São Paulo enfrenta um novo problema. Os médicos residentes dos departamentos cirúrgicos da instituição entraram em greve na segunda-feira, por tempo indeterminado, por causa da crise na instituição.

Conforme revelou o Estado no fim de julho, a categoria já estudava a paralisação em protesto contra o cancelamento das operações e a redução das atividades práticas da residência. Os médicos dizem estar sofrendo pressão e ameaças de pacientes que tiveram as cirurgias canceladas, além de serem prejudicados na formação da carreira. Por mês, a Santa Casa faz cerca de 900 cirurgias eletivas.

Os procedimentos agendados estão sendo cancelados e novas solicitações de operações não estão sendo agendadas desde o dia 15 de julho. Estão paralisados os profissionais dos departamentos de cirurgia geral, cirurgia pediátrica e pediatria.

A direção da Santa Casa confirmou a greve e informou que, dos 755 residentes que atuam na entidade, 133 são de setores cirúrgicos.

Atendimento. Questionada sobre o impacto da paralisação dos residentes no atendimento, a Santa Casa disse que tem um corpo clínico composto por 1.213 médicos e que, por isso, o atendimento ambulatorial não será afetado.

Afirmou ainda que compreende a decisão dos médicos residentes, mas que “colocará a segurança dos pacientes como prioridade absoluta e só retomará o ritmo de realização de cirurgias eletivas quando houver todas as condições necessárias para prestar este serviço”.

Sobre os pacientes afetados pela suspensão das cirurgias eletivas, a instituição diz que “tem recorrido à Rede SUS, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, que possui a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde, cujo objetivo é monitorar a disponibilidade e agilizar as transferências de pacientes para a realização de procedimentos cirúrgicos não emergenciais”. 

Em julho, o superintendente da Santa Casa, José Carlos Villela, afirmou que a suspensão das cirurgias não urgentes foi necessária para garantir verba para os atendimentos emergenciais - não há recursos para ambos.

Em crise financeira e com dívida superior a R$ 800 milhões, a Santa Casa de São Paulo espera repasse financeiro extraordinário por parte do governo do Estado e a renegociação de sua dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com a Caixa.

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