Memória dos mais velhos pode ser restaurada, de acordo com estudo

Pesquisadores recuperaram capacidade neural de animais mais velhos a partir de ajustes neuroquímicos

estadão.com.br

27 Julho 2011 | 14h38

SÃO PAULO - Pesquisadores da Universidade de Yale conseguiram observar com mais clareza o mecanismo que leva as pessoas, principalmente as mais velhas, a perderem informações que deveriam estar armazenadas na memória. O estudo foi ainda mais adiante mostrando como esta capacidade poderia ser recuperada. Os resultados desta pesquisa foram publicados na edição desta semana da revista Nature.

De acordo com os cientistas, a rede neural no córtex pré-frontal gera disparos constantes com o objetivo de manter estas informações. A equipe envolvida no estudo observou então estes disparo de neurônios no córtex pré-frontal em primatas jovens, de meia idade e mais velhos enquanto estes realizavam tarefas relacionadas à memória. Os mais jovens apresentavam estes disparos de forma mais intensa do que era observado nos mais velhos. No entanto, ao passarem por ajustes neuroquímicos na região, os mais velhos apresentavam taxas de disparo dos neurônios similares aos dos mais jovens.

De acordo com Amy Arnsten, professor de Neurobiologia e Psicologia e membro do Instituto Kavli de Neurociência, o córtex pré-frontal dos mais velhos parece acumular níveis excessivos de moléculas de sinalização chamadas cAMP, que podem enfraquecer esta atividade neural. Agentes que podem inibir estas moléculas ou bloquear canais sensíveis à elas podem ajudar a restaurar os padrões de disparos de neurônios nas pessoas mais velhas. De acordo com a pesquisa, um dos componentes que podem auxiliar esta proposta é o medicamento conhecido como guanfacina, que já é usado em tratamento de adultos hipertensos e de deficiência na região pré-frontal em crianças.

Os pesquisadores de Yale agora querem partir para testes com o medicamento para avaliar os efeitos do guanfacina na memória de curto prazo em pacientes mais velhos que não tem problemas relacionados à demência, como o Alzheimer.

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